MECANISMO

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MIRANDA SÁ. jornalista

“Quando o único mecanismo que você possui é um martelo, todo problema que surge você trata como um prego” (Mark Twain)

O “Mecanismo” ou “Mecanicismo” é uma teoria científica que explica os fenômenos físicos pelo movimento da combinação de peças que o fazem funcionar. Como verbete dicionarizado, é um substantivo masculino, que significa disposição das partes constitutivas de uma máquina; maquinismo, engrenagem.

Por extensão, trata-se de um conjunto de elementos que concorrem para a atividade de uma estrutura orgânica; mecânica. Também o título de uma série televisiva brasileira inspirada nas investigações da Operação Lava Jato e lançada pela Netflix.

A série obedeceu à direção do cineasta José Padilha, escrita por Elena Soárez e tendo a participação de Felipe Prado e Marcos Prado. Comentando o enredo, Padilha disse que a corrupção é o mecanismo estruturante da política e da administração pública no Brasil, incluindo as cortes judiciais constituídas por indicações.

Assim se expõe uma triste realidade onde “o mecanismo está em tudo. No flanelinha que recicla talão, na carteira falsificada para pagar meia entrada, no suborno ao guarda para aliviar uma multa…”

Na ciência temos vários tipos de mecanismos, inclusive um que encontramos na Psicologia conhecido como “mecanismo de fuga”; o fato de alguém estar em situação de risco eminente ou se sinta psicologicamente ameaçado, aciona os mecanismos mentais de defesa.

Este mecanismo de fuga tem um exemplo atualíssimo: As pessoas bem informadas já notaram que os lulopetistas perderam o interesse pela investigação sobre o atentado ao ônibus da caravana. Uma fuga. A “eles” isto não interessa mais; ganharam o espaço que queriam na mídia, e pronto.

Sobre o atentado “fake” à Caravana de Lula, conta-se uma história que me parece ter se baseado na novelinha de Artur Azevedo “De Cima para Baixo”, em que o nosso escritor retratou a engrenagem da burocracia na administração pública.

É o mecanismo partidário dos socialistas bolivarianos que me pareceu interessante, e fizeram uma ficção que nos leva ao organismo de inteligência do PT, comparável à “troika” que dirigiu o PCUS, partido comunista da união soviética no stalinismo. O nome troika, em russo trojkʌ, se refere a um carro conduzido por três cavalos alinhados, e o partido adotou-o para mostrar o equilíbrio harmônico da sua direção.

No Brasil, a troika do lulopetismo, como os Três Mosqueteiros do romance histórico de Alexandre Dumas, são quatro dirigentes intelectuais. Dumas tem como personagens Aramis, Athos e Porthos, a quem veio se juntar o jovem D´Artagnan; no PT, são dois frades, Beto e Boff, a professora Marilene Chauí e o ideólogo Zé Dirceu.

Pois bem. Eles se reuniram para avaliar o desgaste que Lula, o partido e os puxadinhos veem sofrendo e traçaram a estratégia de fazer uma incursão à região Sul do País, que pela rejeição ao lulopetismo poderia concorrer com uma vítima redentora. E assim foi criada a Caravana de Lula.

Os organizadores da base montaram, como um engenho bem azeitado, todo o planejamento. Um grupo se encarregou da logística do transporte e dos suprimentos; cinco carros, três ônibus, bebidas e bons petiscos para o primeiro coletivo que levava a hierarquia partidária e pão e mortadela para a claque acompanhante no terceiro ônibus.

A excursão foi um fracasso. Vaias, ovadas e xingamentos no Rio Grande e em Santa Catarina, mas decepcionando os vitimologistas, nenhum ferido, exceto o provocador que levou o repressivo ponta pé na bunda de um gaúcho vestido de bombacha.

O desânimo atraiu uma reunião extraordinária que decidiu recorrer a uma velha tática, a farsa de que nos referimos no começo do texto, como exemplo do silêncio que paira sobre o tal atentado que ocorreu sem testemunhas, apesar de quase duzentas pessoas presentes. Seria uma ação cerebral e fisiológica.

Foram designados três voluntários para executar a peça. Um sarará do MST, magrelo e alto, um varapau que aparece sempre na foto das manifestações; um pelego gorducho da CUT, como todos pelegos cevados pelo imposto sindical, e uma magrela da UNE, com aquele biotipo adotado dos pequenos burgueses socialisteiros da Zona Sul do Rio de Janeiro.

Fizeram o que lhes mandaram fazer, e para resumir, o plano foi malogrado pelas complicações do improviso. Os ônibus entraram numa estrada vicinal e os tiros foram dados num ônibus parado conforme deduziu a perícia da polícia técnica; também os miguelitos (aquele objeto de preg

os retorcidos usados para furar pneus) foram fotografados nas mãos dos companheiros para compor o registro da revolução.

Assim, embora o caso atravesse um silêncio quase absoluto por omissão da mídia, o mecanismo partidário interno pegou fogo. Lula, bufando de raiva, mandou chamar Dilma, que foi com tanta pressa que chegou esbaforida à presença do Chefe.

– “Estou indignado” – disse o Pelegão. – “Que planejamento foi aquele, sua guerrilheira de merda? Se as coisas ocorrem assim, jamais voltaremos ao poder…”

– Não sei como me desculpar, companheiro, humilhou-se a Búlgara; – “Mas a culpa não foi minha, afirmou com os olhos esbugalhados e lacrimejantes.

Daí, com a pressa que teve para vir, a Ilibada saiu dali desenfreada e não se conteve, convocou com urgência para um encontro a senadora Gleise, presidente do PT. E diante da Senadora foi arrogante como nunca: – “Como você me fez passar por uma vergonha perante o nosso líder Lula? ” – E continuou com sua vitimologia: – “Ele chegou a me dizer que pensou em mandar o Pimentel não apoiar minha candidatura a deputada em Minas…”

Ouvindo isso, Gleise, tão insolente e violenta nos seus discursos no Senado, murchou com a crítica acerba que recebeu. E voltou triste para Brasília, mas transpirando rancor; de lá convocou o presidente da CUT, e baixou-lhe o sarrafo com ele adentrando: – “Como é que você me manda um incompetente para cumprir uma tarefa do partido? ”. E diante do mi-mi-mi do pelego, cabisbaixo diante da dirigente, incitou-o: – “Expulse aquele cabra-safado da Central, que não merece nossa confiança! ”

O Companheiro da Central saiu do encontro desalentado; porém reagindo mandou chamar Stédile, do exército de camponeses de Lula. O General não pode comparecer e mandou à CUT seu segundo tenente.

Lá chegando, o Sem Terra foi recebido aos berros. – “Aonde anda o Stédile? Abandonou a luta? “ – bradou o Pelego, e atacou: – Vocês estão acomodados, nunca mais invadiram nada, e nós repassando verbas; vamos parar com isto, pois além de estarmos sem o imposto sindical, não podemos desse jeito confiar na sua fidelidade a Lula! ”

O Sem-Terra saiu abatido da reunião e convidou a direção da UNE para ir à sede do Movimento. Foi para lá a gasguita que estava na caravana e, logo ao chegar, enfrentou o esbravejar dele: – “Que revolucionários são os estudantes que ficam fumando maconha e relaxam com as atividades de agitação e propaganda, além de não estudar…”

A Estudante não retrucou. Calada, abandonou o prédio abatida, e foi para a UNE de onde telefonou para a “chefa” da União Bolivariana Comunitária (UNBOC), dona Marialva, uma típica representante das favelas, mulher, negra e pobre, mas não humilde. Ela não aceitou o carão que a garota da UNE ensaiou em dar. Deu uma rabissaca, saiu e foi para casa.

Chegando à habitação, deu um esbregue no marido: – “Eu me esforço, trago a feira para casa e você fica bebendo cachaça nas biroscas. Estou farta disso” – E chamando o filho de 16 anos, que ensaiava ser pelego, organizando a Frente Invasora de Prédios Abandonados”: – “… E o senhor está me saindo uma bisca, me deixa sozinha enfrentando a luta quando devia estar ao meu lado nas horas difíceis! ”

O garoto cheio de tatuagens, metido a homem, intimidou-se diante da mãe e se retirou devagarinho para a sacada do “Minha Casa, Minha Vida”.  Lá chegando, o cachorro da família, Fidel, correu ao seu encontro balançando o rabo; então, o representante da última geração do lulopetismo, sem ter a quem transferir a autoridade política, pegou o pobre animal pelo dorso e com frieza atirou-o do terceiro andar do condomínio lá embaixo…

2 respostas para MECANISMO

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