CORRUPÇÃO

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MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

           “Debalde eu olho e procuro…/ Tudo escuro/ Só vejo em roda de mim!” (Casimiro de Abreu)

Distante da Pátria eu poderia cantar com o vate Gonçalves Dias e todos os poetas que o seguiram poetizando “canções do exílio”, como Casimiro, meu epigrafado, Murilo Mendes e Carlos Drumond de Andrade…

Mas a exaltação romântica que estes românticos fizeram está na contramão do que sinto, a onze horas de voo, na bela Costa Rica, a pérola da América Latina, pelo seu exemplo de Democracia, Educação e Saúde ao alcance do seu povo amável.

Não quero me lembrar dos jambeiros, nem dos maracanãs… A corrupção política escurece a minha vista da nossa pródiga natureza. Não esqueço que a corrupção é assassina, que mata os investimentos públicos para a Saúde, a Educação e o próprio bem-estar da cidadania.

Segundo os dicionários, o verbete “Corrupção” é um substantivo feminino qualificado como adulteração, deterioração, decomposição física de algo e putrefação. Isto bastaria para desenhar o mapa do Brasil. É a má aplicação da riqueza nacional em proveito da chamada “classe política”.

Estudiosos apontam várias formas de corrupção, citando o suborno, extorsão, fisiologismo, nepotismo, clientelismo e peculato. Qual dessas miseráveis modalidades não se vê atualmente na nossa Pátria?

Neste momento que atravessamos, uso uma lupa – que me ajuda enxergar o Brasil de longe – para focar a gênese do horror que nos envergonha e, como negar, nos amedronta. Vejo os mais de oito bilhões de reais que Lula da Silva, o arqui-corrupto, presenteou para a JBS, dos seus comparsas da família Batista.

A venda de Medidas Provisórias – que parecia um crime inominável – tornou-se mera coadjuvante do poder de corrupção que foi dotado aos pseudocapitalistas amigos do lulopetismo.

Foi daí que se envolveram centenas de políticos de várias legendas partidárias, mais particularmente aqueles que arrotavam oposicionismo aos males causados nos anos de PT-governo, em que um dos seus eleitos, Michel Temer, assumiu a presidência da República após o impeachment de Dilma Rousseff.

O afastamento de Dilma nos parecia uma livrança da pior crise econômica que o País vive, pela incompetência e leniência com a corrupção da ex-presidente alter ego de Lula. Acreditou-se que ajudaria o combate à inflação e principalmente ao desemprego de 14 milhões de trabalhadores.

Triste engano. Temer trouxe consigo uma fraude: o seu próprio partido medularmente envolvido em tramoias, e a enganação do tucanato, com o candidato adversário da chapa Dilma-Temer, Aécio Neves, comprometido com a criminalidade política igual a do PT e seus satélites.

Escrevo com a tristeza de reconhecer que pouco resta no cenário das ilegalidades cometidas pelo PT, PMDB, PSDB, PP e outros menos votados, mas tão envolvidos quanto.

A acumulação dos malfeitos nos 14 anos de ocupação do poder pelo lulopetismo se refletiu de maneira geral sobre os três poderes da República. E muito pior: acarretaram o silêncio cúmplice de uma grande fração do povo, aproveitadora dos restos do banquete da pelegagem e seus aliados ostensivos e ocultos.

Felizmente, a alvorada: os combatentes da Polícia Federal, do Ministério Público e do juiz Sérgio Moro, que, como um tsunami de honestidade está lavando o solo nacional para nos livrar da podridão generalizada do mundo político.