Lula da Silva mente. E mente muito.
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
Na Itália do após-guerra houve uma explosão democrática. Os mais conservadores, incluindo-se entre eles a extrema-direita católica de sotaina preta, adotaram uma postura (e uma linguagem) liberal. Na imprensa, o jornalismo investigativo ocupou os espaços nobres da mídia e no Parlamento reinou o contraditório com debates apaixonados. Quando o Senado discutiu o Tratado de Latrão, que garantia as prerrogativas de Estado para o Vaticano, um senador democrata cristão – acho que foi De Gasperi, não me lembro – fez um pronunciamento prejulgando o voto do PCI – Partido Comunista Italiano “que deveria ser contra”.
Surpreendendo a todos, os comunistas apoiaram a manutenção do status da Igreja, através de um discurso do seu líder, Palmiro Togliatti, que reverberou contra os demos-cristãos iniciando a sua fala com uma expressão interjetiva “Mà como sonno cretini!” … “Como são cretinos!”. Esta frase obscureceu o fato da esquerda apoiar o Vaticano. Uma celeuma imensa sobre o uso da palavra “cretino” no plenário senatorial.
Tem palavras que chocam, é verdade. Outro dia escrevi que Lula da Silva era um mentiroso e recebi uma meia dúzia de três ou quatro e-mails achando que era pesado demais. Apoiando-me no número muitíssimas vezes maior de aplausos que recebi por causa do artigo, volto para sustentar a minha opinião – pessoal e intransferível – de que Lula mente!
A não ser os fanáticos lulistas-petistas e os idiotas, ninguém pode se contrapor a esta afirmação que apenas registra um fato conhecido no Brasil inteiro e boa parte do mundo civilizado. Quem não se lembra que Sua Excelência disse no Rio Grande do Sul que “o sistema de saúde pública no Brasil estava quase atingindo a perfeição”? Isso para falar das coisas recentes, como a última quando falou em Florianópolis – diante das câmeras de televisão – que o Brasil não pode ter medo de arrecadar mais porque está atravessando “um momento maravilhoso, muito rico”.
“A verdade é que as pessoas estão pagando mais (impostos) porque estão ganhando mais. É só ver o lucro dos bancos, das mil maiores empresas brasileiras. Tem de pagar mais”. Peço ao leitor dessas mal traçadas linhas para que pense: será verdade que o Brasil passa por um momento maravilhoso nem as pessoas estão ganhando mais? Trata-se evidentemente de uma falácia essa mistura espertalhona de banqueiros e grandes empresários com o povão. A situação dos amigos ricos do PT-governo não é a mesma do proletariado, empregados e servidores públicos civis e militares.
Esta mentira faz parte de uma gigantesca fraude que Lula da Silva armou para defender a prorrogação da CPMF que deverá ser extinta no fim do ano por força do texto constitucional. Para garantir os 40 bilhões arrancados do bolso da gente, Lula distribui cargos para os 300 picaretas do Congresso, solta verbas individuais e faz a cooptação de parlamentares eleitos pelas legendas da oposição. E mais do que isto: criou um argumento astucioso que se tornou refrão dos sabujos do Congresso e da imprensa: “O Brasil não pode crescer sem a CPMF”.
Como? Então contaram com o imposto do cheque para o orçamento do ano vindouro? Não sabiam que a Constituição determina o seu fim?
Além do mais, os brasileiros pagamos a maior taxa de impostos do mundo. E assistimos a farra dos cartões corporativos, em que a Família Inácio da Silva saca em dinheiro; 38 ministros e seu entourage; 27 mil petistas e afins pendurados em cargos comissionados, e a corrupção que desvia dinheiro público para a caixinha do PT. Veja-se o recente caso da Cisco, que fraudava a Receita e contribuía para o partido do Presidente.
Pelo exposto, não é preciso repetir que pagamos tributos para o lucro dos agentes financeiros – felizes usufrutuários da política neoliberal lulista-petista ajoelhada diante do Deus Mercado. O ruim é que os ex-votos depositados no altar da divindade das oligarquias financeiras saem do salário do povo trabalhador.
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