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DA ORIGEM

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Mensagens levadas ao meu Blog que trazem correções, críticas, elogios, reparos e supressões, muito me agradam; e estou disposto a aceitar qualquer comentário negativo e orgulhar-me do aplauso, como o que recebi no último artigo.

Sempre que posso (os azáfamas provocados pela idade me impedem) respondo ao interlocutor. No artigo em referência, “Das Contradições”, por exemplo, recolhi cinco respostas; uma delas, citada acima, veio do professor José Carlos Bortoloti.

Duas outras também trouxeram aprovação, e as restantes, críticas. Como não estou autorizado a revelar nomes fica no anonimato quem me chamou de ateu e me levou a uma lembrança de Denis Diderot sobre tal inquisição: “Perguntaram um dia a alguém se havia ateus verdadeiros. – ‘Você acredita’, respondeu ele, ‘que haja cristãos verdadeiros’?”.

Vou além. A verdade é que não cultuo um deus que o homem, em seu orgulho, criou à sua imagem e semelhança; uma divindade que resolve problemas pessoais, que elege um povo como favorito e quer ser louvado todo tempo. Fico com Spinoza, aceitando o deus que ele chama “Alma do Universo”, e se espelha na Natureza.

Quanto à última asserção, ah! esta foi contundente. Atacou-me defendendo a tese de que o homem foi feito de barro pelo Criador, que tirando dele uma das costelas, fez a mulher; considerei esta assertiva como a possibilidade contraditória que explorei no texto que provocou o ataque.

Considero lamentável que no século 21 alguém prefira ficar com as fantasias das Mil e Uma Noites judaicas em vez de admitir os estudos científicos do cosmos que tornaram indesmentível que os planetas, entre eles a Terra, se formaram de uma matéria gasosa sideral como poeira.

A Ciência prova que o nosso planeta, trouxe na sua estrutura astral a presença de amoníaco, hidrogênio, metano e oxigênio nas suas águas, o que favoreceu a formação dos hidrocarbonetos simples, fundamentais para criar substâncias orgânicas.

A vida, mesmo nas suas diferenças consideráveis, se desenvolveu nas águas, no ambiente marítimo, segundo escreveu H. G. Wells: “(Então), as plantas já eram plantas e os animais, animais”.

Oriundos dos microrganismos surgiram os invertebrados aquáticos como as algas e as bactérias, e, sobrevivendo há bilhões de anos, caracóis, medusas e águas-vivas; estas últimas, que nos queimam nos banhos de mar, são o exemplo mais do que perfeito das espécies orgânicas precedentes.

A água-viva tem a aparência de um guarda-chuvas translúcido, que se confunde com a água; não possui cérebro, sistema circulatório, órgãos para respiração ou para excreção; seu sistema nervoso é difuso e a boca localiza-se na parte inferior do corpo.

Posteriormente, na abundância da vida marítima destacaram-se os moluscos, mariscos e ostras, revestidos com uma concha calcária e alimentando-se de seres minúsculos e fosforescentes como os planctos.

Estes crustáceos, à maneira dos caranguejos como conhecemos atualmente, sofreram modificações e com tal diferenciação saíram d’água com guelras adaptadas para sobreviver no seco. A seguir vieram os anfíbios, aves e répteis passando pelo mesmo processo de emancipação.

Assim, cerca de 225 a 200 milhões de anos, na primeira etapa da Era Paleozoica, peixes anfíbios transformaram-se em vertebrados terrestres, com esqueleto e condições respiratórias pulmonares, evoluindo dos ancestrais reptilianos. Mais tarde, no final do Período Triássico, surgiram os primeiros mamíferos.

Os mamíferos se diversificaram e passaram a dominar praticamente os ambientes terrestres e, após 7 e 6 milhões de anos depois, segundo a Paleontologia, apareceram na África os hominídeos, com características de bipedismo.

A partir desses ancestrais primitivos, ocorreu a longa evolução que conformou o gênero Homo, avoengo do ser humano moderno. Este sou eu, somos todos nós, seres humanos viventes no planeta, inclusive quem desconsidera a Ciência.

Considero, porém, tedioso manter uma discussão sobre questões de fé; prefiro pensar no porquê o ciclo civilizatório atual não se despir de fantasias, assumir a fraternidade social e viver em Paz.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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