Depois de trazer dois artigos sobre o Humanismo e a Humanidade, achei necessário trazer a Xenofobia, que contraria ambas, pois materializa a aversão e até à hostilidade seres humanos diferentes entre si. Com isto, completo uma trilogia antropológica.
Tudo começou no mundo primitivo quando, segundo antropólogos pesquisadores do período pré-histórico da humanidade, os primeiros humanos demonstraram medo ao desconhecido, aos fenômenos da Natureza e às clãs sem familiaridade, o que resultou em estereótipos negativos ao idioma desigual e às culturas distintas.
Isso facilitou a desumanização do “estrangeiro”, manifestada de diversas formas, mas sempre associada as disputas por território, poder ou riquezas.
Atingindo o grau civilizatório, a História registra que na Antiguidade gregos e romanos consideravam os povos além fronteiras como “bárbaros”, enquanto dominavam e marginalizavam nações conquistadas.
Ainda na Europa, com o triunfo imperialista do cristianismo, nasceu o poder da Igreja Católica que, na Idade Média e nos primórdios da Era Moderna, trouxe perseguições religiosas, expulsões de minorias heréticas e o colonialismo com cruéis períodos de discriminação e preconceitos contra povos estrangeiros.
Nos séculos XIX e XX, o extremismo nacionalista e teorias raciais excludentes resultaram em tragédias presentes nas duas guerras mundiais e sacrifícios humanos praticados nos campos de concentração nazistas.
A Xenofobia continua presente atualmente mundo afora, frequentemente relacionada aos fluxos migratórios, às crises econômicas e aos conflitos racistas. Como verbete dicionarizado é substantivo feminino com origem no grego clássico, formada pela junção de dois termos: Xénos que significa estrangeiro ou estranho, e Phóbos, que traduz medo.
De acordo com as ciências sociais, a principal causa das manifestações xenófobas é a permanência no inconsciente coletivo do medo primitivo ao desconhecido, processo que se mantém pela falta de políticas públicas inclusivas.
Assim, a aversão, hostilidade e o repúdio contra pessoas além dos limites da própria circunscrição são condenáveis; torna-se difícil, porém, evitar que se mantenha entre os povos que foram colonizados.
Os processos mentais do inconsciente coletivo foram deixados como herança na África, na Ásia e na América Latina e Caribe, pelos colonizadores europeus responsáveis pelas rivalidades políticas impostas aos nativos.
Deste lado do Atlântico, os conquistadores perpetuaram a Xenofobia na memória dos povos pela exploração econômica, o poder abusivo sob o jugo da governança colonial e a negação da cidadania, da dignidade e da liberdade,
Segundo educadores e historiadores a colonização lembra a usurpação histórica dos direitos individuais, como o fundamento dos movimentos independentistas que promoveram a formação de países republicanos na América do Sul, e mais tarde nas Guianas.
No Brasil, além da exploração de nossas riquezas por Portugal, recorda a distribuição de capitanias hereditárias para os favoritos da corte lusitana, todos ambiciosos e convivas de degredados notórios pela cupidez.
Dos “capitães” escravocratas, veio o coronelato, extensão política da exploração da negação dos direitos humanos, do trabalho semelhante à escravidão e aa cobiça pelo patrimônio público, pela duradoura política familiar em vários estados federativos.
Desta situação surgiu uma irmã gêmea da Xenofobia, a Misoginia, igualmente saída de uma clínica clandestina de abortos; ambas são apadrinhadas por parlamentares corruptos e tendo como madrinha a Justiça, cuja avidez pelo enriquecimento chega à venda de sentenças.
Estas irmãs siamesas maléficas são protagonistas da política wokeísta do populismo da falsa direita e da falsa esquerda, bolsonaristas e lulopetistas, responsáveis pela divisão criminosa da nacionalidade.
Contra isto, precisamos fortalecer a Educação e o diálogo intercultural, para proteger os direitos humanos e promover a convivência fraternal entre os brasileiros originários de etnias diversas.
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