A Tragédia é um acontecimento muito grave e ruinoso, ligado a forças da natureza ou provocado por ações humanas. Como verbete dicionarizado é um substantivo feminino originário do grego antigo “tragoidía”, formado pela união de “tragos” (bode) + “oide” (canto, ode), com o significado literal de “Canto do bode”, referindo-se ao sacrifício do animal nos rituais dionisíacos.
Para Aristóteles, a Tragédia desperta compaixão e temor, conduzindo o público à catarse, uma profunda reflexão moral e emocional explorada pelos grandes dramaturgos dos séculos VI e V a.C. que levaram a Mitologia para o Teatro. Este registro fez morada na cultura ocidental.
Até hoje, os estudiosos das artes cênicas reconhecem o mérito de Ésquilo, Sófocles e Eurípides, cujas obras levam ao palco a angústia do destino, o conceito da liberdade e as irresistíveis paixões humanas.
No sentido histórico, Tragédia designa os grandes desastres naturais que marcaram a vida humana na Terra. A antropologia mostra que terremotos, erupções vulcânicas, tsunamis, secas, enchentes, furacões e pandemias influenciaram migrações, crenças religiosas e formas de organização social.
Desde o fim da última Idade do Gelo, há cerca de 11.700 anos, a humanidade enfrentou sucessivas tragédias naturais que devastaram povos e transformaram civilizações, e por outro lado, o aquecimento do clima elevou o nível dos mares, alterou paisagens e obrigou populações a migrarem.
A economia nômade da caça e da pesca provocou tragédias pelo ser humano, debitando-se a ele a extinção de grande parte da megafauna — como mamutes e preguiças-gigantes — e, pela falta destes na alimentação, surgiu a agricultura e a domesticação de animais, dando fim ao nomadismo, fixando as clãs ao solo construindo as primeiras aldeias.
Assim, o avanço civilizatório transformou o modo de vida proporcionando o enriquecimento de algumas nações e o empobrecimento de outras, o que provocou guerras de conquista que resultaram no declínio de antigos impérios.
Na Idade Média, a Peste Negra eliminou milhões de pessoas transformando a organização social da Europa; criando experiências históricas que a psicologia revela a vulnerabilidade do ser humano, mas também a sua extraordinária capacidade de solidariedade e reconstrução.
Quando tivemos no século 20 as duas guerras mundiais, e na segunda, os campos de concentração, a deplorável mortandade e o uso da bomba atômica, capitula-se a funesta capacidade humana de produzir catástrofes e, contraditoriamente, trazer avanços tecnológicos e científicos.
Vê-se desta maneira que a História da Humanidade é ao mesmo tempo, a sucessão de calamidades e o testemunho da persistência civilizatória.
No sentido político, a palavra Tragédia lembra situações que provocam uma profunda reflexão moral que entristece e revolta. Não é por acaso que no sentido figurado a palavra Tragédia leva a ocorrências adversas e funestas; reveses que produzem a dor coletiva de uma Nação.
A politicagem infiltrada nos tribunais conduz a uma trágica dor social que lembra o historiador francês François Guizot, ao alertar: “Quando a Política adentra no recinto dos tribunais, a Justiça sai por outra porta”.
Este acontecimento infeliz ocorre e impõe uma ditadura judicial sob argumento de defender a Democracia, mantendo-se pelo desprezo à Constituição e com uma distorcida interpretação da legislação; obscurecendo o Estado Democrático de Direito.
Assim, sob as artimanhas diversionistas da corte de Justiça politizada, temos a tragédia de uma polarização eleitoral entre duas bandas populistas, cujos líderes, Bolsonaro e Lula, não passam de títeres manipulados pelo Sistema Corrupto no palco do teatro republicano….
Aí vai à cena a tragédia que assistimos: a ditadura do poder judiciário que, segundo Rui Barbosa, é a pior ditadura; e que Montesquieu considerou uma tirania cruel, por se perpetuar “sob o escudo da lei e em nome da Justiça”.
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