MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
A expressão “conto do vigário” é uma das mais tradicionais da língua portuguesa e significa um golpe engenhoso, baseado na mentira, na confiança e na ganância da vítima.
O folclore brasileiro apresenta muitas versões sobre a origem desta vigarice, sendo a mais conhecida vinda do século XVIII nas Minas Gerais, em Ouro Preto, quando dois párocos disputaram a posse de uma imagem de Nossa Senhora.
O juiz local (possivelmente um gozador) sugeriu que pusessem a estatueta sobre um burro entre as duas igrejas, deixando que o animal escolhesse o destino. O burro se encaminhou para a paróquia de um dos vigários, que pôs a imagem no seu altar. Descobriu-se depois que o animal pertencia a um diácono, auxiliar do vencedor e havia sido treinado para isso. Esta esperteza, não muito cristã, deu origem à expressão.
Na linguagem comum, “cair no conto do vigário” significa ser enganado por uma fraude cuidadosamente planejada. A expressão deu origem também às palavras vigarista e vigarice, usadas para designar quem vive de golpes e trapaças e a sua prática.
Nos grandes centros urbanos, o “conto do vigário” assume formas modernas estudadas pela investigação policial: falsos bilhetes premiados, vendas de produtos inexistentes, ligações telefônicas de supostos parentes em emergência (aqui em casa caímos num destes), falsos funcionários de bancos, mensagens eletrônicas de phishing e anúncios fraudulentos na internet.
Em todas essas vigarices, o golpista procura conquistar a confiança da vítima, criar um senso de urgência e levá-la a tomar uma decisão precipitada.
Mais do que uma curiosidade folclórica, a expressão permanece viva porque descreve um comportamento humano recorrente: a exploração da credulidade, da ambição ou da boa-fé, mostrando que os golpes mudam de forma ao longo do tempo, mas conservam a mesma lógica de enganar para obter vantagem.
O engodo que atrai o incauto é uma oferta desejada, tão boa que se torna irrecusável; está sempre presente na política, principalmente nos discursos de campanha eleitoral dos picaretas.
Para derrubar o lulopetismo vigarista, corrupto e corruptor, apareceu a Operação Lava Jato e o eleitorado derrotou o candidato de Lula, escolhendo um deputado do baixo clero que não tinha aparência de desonesto…. Ledo engano; não parecia capaz de praticar um conto do vigário, mas o fez porque trazia no íntimo a vigarice e alegou a salvação de um filho trapaceiro.
Que DNAs! É de lembrar que o outro trapaceiro, Lulinha, é filho de Lula, e a travessia dele nas pontes de corrupção que levam ao governo, é incrível. Mesmo depois de descoberto por ter se metido em falcatruas no INSS, não se limitou no assalto aos velhinhos e velhinhas.
Observando os familiares desses polarizadores eleitorais, vemos ao lado deles vigaristas do Executivo, Judiciário e Legislativo, convivendo em todos os andares do condomínio do poder, ocupando as coberturas e usando elevadores privados.
Ali se esconde a história dos respiradores aspirados pelos governadores do Norte-Nordeste na pandemia da Covid, que se tornou insignificante diante do que fez Jacques Wagner, líder de Lula no Senado, mostrando ser um vigário de primeira ordem. Não bastou isto para botar Lula na cangalha dos otários: o seu assessor próximo, Marcola, estava envolvido nas tramoias de Lulinha….
Dos contos -do-vigário tem uma história do folclore urbano que ficou famosa: a do mineiro que comprou um bonde no Rio. Os bondes eram da Light, mas um fazendeiro ingênuo, muito ganancioso, foi enganado por um malandro carioca que lhe “vendeu” um…
A partir daí, temos no mundo da vigarice a palavra Bonde, que na gíria mudou de sentido, passando a significar quem raciocina devagar para resolver um problema, e também, nos subúrbios cariocas, denominando um grupo de amigos, sendo que para os arrastões de delinquentes, chama-se “Trem”.
Assim, diferença entre “bonde” e “trem” como condução, foi aproveitada pelo humorismo, que ligou a picaretagem parlamentar e os seus efeitos na presidência da República, com uma anedota que vendo os dois lados polarizadores, aponta o bonde para os familiares e o trem para os vigaristas.
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