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MIRANDA SÁ (E-mail:mirandasa@uol.com.br)

Ao redor de pessoas livre pensadoras com independência para analisar, e avaliar acontecimentos do cotidiano e fatos que ocorrem no mundo político, há muitas outras pessoas que se confundem desorientadas não conseguindo distinguir o que se passa.

Curioso, assistindo à passagem na passarela da realidade dessas pessoas, lembrei-me de uma velha lição que o meu professor de Latim, Franz Doubert, ensinava ao reprovar a bagunça que alguns colegas faziam na aula.

Com maestria, Doubert citava o verbo latino “confundere”, formado pela junção de dois elementos “com+ (ou con+)”, prefixo que indica “junto” mais o verbo fundere, que significa “derramar, fundir ou fazer fluir”. Esta palavra evoluiu do plano físico (a mistura de líquidos) para o figurado, a mistura de ideias, desordem, o equívoco ou perturbação do raciocínio.

Confundere” veio do latim vulgar para o idioma português e de lá para o brasilês como “Confundir”, verbo transitivo direto, bitransitivo e pronominal que configura “assumir uma coisa por outra”, “não diferenciar uma pessoa de outra”; “misturar elementos sem ordem” ou causa dúvidas e embaraços para desorientar alguém.

Vem de séculos a expressão popular portuguesa “não confundir alhos com bugalhos”, que alcançou as antigas colônias, hoje países lusófonos. É um alerta proverbial para alguém que confunde coisas parecidas, mas diferentes. Refere-se forma arredondada do alho, um condimento presente em todas as cozinhas e “bugalho” uma protuberância também torneada, que se forma no tronco das árvores.

Mesmo pesquisando, não encontrei explicação sobre a sentença, que provocou a recordação de uma brincadeira que corria nos meus tempos estudantis. É um jogo que leva à procura coisas diferentes que se confundem, como os exemplos que me veem à memória: “é preciso não confundir ‘Habeas-Corpus’ com ‘Corpus Christi’”. Vê-se aí que são diferentes, mas se assemelham por serem expressões latinas, HB, uma garantia jurídica para proteger a liberdade das pessoas contra ilegalidades; e CC significando “Corpo de Cristo”, solenidade religiosa da Eucaristia com a Igreja Católica celebrando a presença real de Jesus.

Lembro também de algumas vulgares, tipo: “Não confundir a minha prima Vera com a linda Primavera…” outra: “É preciso não confundir o mandado de segurança com a segurança do mandado”, e mais uma: “É preciso não confundir o tráfico de drogas com a droga do tráfego”.

Repito, o humor aproxima palavras semelhantes com significados diferentes e assim esse passatempo tinha (ou tem) recriações incríveis com amplitude que vai da religião a conteúdos pornográficos, como aquela que sempre se repete: “É preciso não confundir a obra do mestre Picasso com o picaço do Mestre de Obra”.

A estrutura desses entretenimentos que usa palavras, trocadilhos e paronomásias, faz parte do aprendizado escolar. O próprio dicionário registra “Confundir” no sentido de trocar uma coisa por outra ou equivocar-se, levando o verbete à engenhoca do discurso político, cuja engrenagem é usada para confundir as massas.

Desorientando, intrigando, causam dano ao Estado de Direito e ferindo a debilitada Democracia, o discurso político estimula não só os picaretas do Congresso indo até aos capas-pretas do STF que rasgam a Constituição para salvar os colegas comensais do banquete de Vorcaro

Assim, no palco da politicagem o que assistimos é a desorientação da nacionalidade com a suprema magistratura abandonando seus deveres cívicos caindo numa pornochanchada surrealista picassiana.

Este cenário nos leva a recordar o velho guerreiro Chacrinha, que abria o seu programa com o bordão: “Eu estou aqui para confundir, e não para explicar” sendo hoje imitado pelos defensores da criminalidade que ocupa os andares de cima do poder, alojando o Supremo Tribunal, a Procuradoria Geral da República a cúpula da Polícia Federal.

Confundir é o que quer quem comercializa a defesa da Democracia na Bolsa de Valores da Corrupção mantida pelo Sistema Corrupto. Participa e dá lances no pregão da degenerescência ideológica.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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