Abrindo aspas para Fernando Gabeira
“O Brasil ficou fora de uma declaração de 82 paises, feita na Nova Zelândia, contra a fabricação das chamadas bombas de cacho (cluster). Estas bombas são extremamente destrutivas, pois se fragmentam em milhares de pedaços. Seu uso mais recente foi no Líbano, com o ataque de Israel. O argumento brasileiro, de um país que fabrica este tipo de bomba, é de que considera ainda necessária sua produção.Por minha iniciativa, fizemos uma audiência pública em Brasília, tentando influenciar a posição brasileira.
Em vão. Duas ONGs brasileiras, que, por sinal, estiveram presentes em nossa audiência, trabalham com o tema no país. Uma delas era dedicada ao fim das minas antipessoais, que, felizmente, já estão sendo banidas. A bombas cacho, além da destruição que promovem, costumam não explodir – e, como são muito coloridas, parecem brinquedos. Atraem crianças e, com isto, tardiamente, promovem novas tragédias.
Perdemos essa pequena luta. Mas continuaremos pressionando o Brasil. Nossa influência no mundo não depende do poderio militar. Somos um softpower, dedicado à construção da paz mundial. Devemos ter armas modernas? Sim, mas não aquelas que, modernas ou antigas, podem ser substituídas para o bem da humanidade.”
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