Nesta última semana da campanha eleitoral, escorrego sobre um tapete reza no tobogã da consciência, admirando até aplaudindo, as pessoas que se declaram “de direita”, sem ser bolsonarista; ou “de esquerda”, sem ser lulopetista. Trata-se de uma questão de consciência.
“Consciência”, do latim “Conscientia”, relaciona-se ao conhecimento interior que temos de nós mesmos e ao julgamento moral de nossas ações; de considerarmos o que é certo ou o que é errado para examinar a própria conduta e orientar decisões.
Do ponto de vista ideológico, a Consciência se manifesta pela capacidade de julgar o que nos cerca: o poder governante, as leis vigentes, a administração pública e as tendências sociais, confrontando-se com a ética, a honestidade e as liberdades democráticas.
A Consciência serve para bloquear o fanatismo, impedindo a subalternidade partidária que impõe comportamentos e conceitos tirados das cabeças de uma “meia dúzia de três ou quatro” dirigentes….
Pelo discernimento que a longevidade me oferece, vejo a eleição presidencial usada com instrumentos artificiais de propaganda, tendo como único objetivo de conquistar votos. Entre oposicionistas, vê-se carreirismo e oportunismo; e, da parte situacionista, a avidez de se manter no poder gozando os privilégios e vantagens que o poder dá.
Olhando para isto, vejo com tristeza e revolta os dirigentes partidários se apropriando de uma fraude histórica ao se identificar falsamente como “de direita” e “de esquerda” com o intuito de iludir a massa ignorante e insensata.
A banda que se proclama conservadora quer apenas ganhar o voto daqueles que estão preocupados com a segurança, com a família e com religiosos penitentes; a outra parte se definindo progressista, se sente em dívida pelas injustiças sociais e se propõe pagá-la com a arrecadação de impostos e taxas.
Pensando apenas nas próximas eleições, ambos adotam o populismo assistencialista apegando-se às propostas demagógicas de ampliação dos direitos sociais limitados à distribuição de benefícios, “bolsas disto e daquilo” que conquistam votos.
Este tipo de política não é um princípio ideológico, mas medidas usadas de maneira eleitoralista. Não é discutível a assertiva da ciência política que identifica o populismo, seja “de direita” ou “de esquerda”, como uma estratégia recorrente: dividir a sociedade entre um grupo supostamente humanista e outro ausente, alheado, desconectado da realidade.
Também se observa no campo político a tendência sectária de definições extremistas, que veem um Sistema Corrupto dominante e, em oposição, os ativistas defensores de uma compliance, exigindo programas de integridade, códigos de ética, canais de denúncia e rigorosa obediência à Lei Anticorrupção.
Dessa maneira, muitos políticos auto assumidos “conservadores” ou “progressistas”, não comprovam honestidade, vendendo a ideia de que pertencer à direita ou à esquerda garante um compromisso político de respeito ao Erário.
Quem tem ouvidos de ouvir e olhos de ver, escuta e assiste acusações de fraude ou demagogia de um lado e do outro, apresentando provas, decisões e testemunhos; e, tomando uma posição independente, deve perpassar a folha corrida dos candidatos, comportamentos anteriores e suas promessas de solucionar problemas nacionais sem mostrar com fazê-lo; refugar sempre a demagogia discursiva, os apelos emocionais e a vitimologia eleitoreira….
Deve-se comparecer às secções de votação com Consciência na alma, e, ao digitar o voto, lembrar-se do que se passa à volta, contra à liberdade de expressão do pensamento e exigir dos futuros governantes ética e honestidade.
A cidadania precisa eleger representantes não pelos rótulos que ostentam e mais pelo conteúdo que a propaganda impõe, lembrando Orwell: “Um povo que elege corruptos, impostores, ladrões e traidores, não é vítima. É cúmplice!”
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