Civilização significa tudo aquilo que os seres humanos desenvolveram ao longo dos anos para se sobrepor à ancestral condição animalesca. Trata-se de uma arquitetura social para atender à humanidade nas suas necessidades.
O processo da evolução civilizatória levou as nações a se organizarem com um esquema jurídico para manter as instituições governamentais e proteger a cidadania contra o poder monocrático das ditaduras.
É por isto que a civilização deve ser entendida como coletivismo e ser defendida contra o individualismo. São reprováveis os impulsos individuais das lideranças políticas de qualquer rótulo ideológico, seja “de direita” ou “de esquerda”.
Desde os tempos antigos, com o surgimento da Democracia na antiga Grécia, também nasceram sonhos de um mundo paradisíaco no pensar dos filósofos, e assim nasceram as utopias visando teoricamente regimes perfeitos.
Uma sociedade excepcional, igualitária, distributiva e justa é o modelo sonhado e adotado pelo filósofo, escritor e humanista inglês, Tomás Morus, que criou em 1516, o livro com o título “Utopia”.
Compõe esta tese de Morus para um sistema ideal, as condições humanas de um relacionamento social pacífico, possivelmente foi inspirada no filósofo grego Platão, no seu livro “Atlântida”, uma nação governada por filósofos, onde o Saber e a Justiça orientariam a vida coletiva.
Entre os sonhos de uma sociedade perfeita funcionando, surgiu cem anos depois da “Utopia”, em 1602, a “A Cidade do Sol”, a projeção de uma sociedade teocrática e científica organizada pela cooperação intelectual, foi defendida pelo frade dominicano Tomazo Campanella; e, no mesmo século, em 1627, o filósofo Francis Bacon escreveu a “Nova Atlântida”, exaltando o papel da ciência e da pesquisa por instituições de governo respeitáveis como base para o progresso.
Este conjunto imaginário por uma sociedade perfeita ressurgiu na agitação intelectual da Revolução Francesa e radicalizou com a Comuna de Paris tomando medidas pelo governo formado sob influência anarquista.
Os ‘communards”, participantes e defensores do governo revolucionário da Comuna de Paris, levaram à prática, pela primeira vez, reformas adotadas mais tarde na comunidade internacional, como o ensino gratuito e a autogestão das fábricas.
Esta experiência anarquista durou apenas 72 dias, sendo sufocada pelo exército francês com uma repressão que resultou em milhares de mortos e 43.522 presos, incluindo 1.054 mulheres; tal violência acendeu as paixões políticas na Europa e de lá, se expandiu mundialmente.
A contradição entre revolucionários e governos opressores levou no século 18 o filósofo francês, maçom e literato Helvétius, a observar que há paixões inatas às pessoas tornando-se a bandeira das revoltas contra ambições, corrupção e a desigualdade social e política.
Interessante é que Helvétius concluiu o estudo da paixão humana apresentando outra, aquela que leva o ser humano a adotar “amor por um” e “ódio pelo outro”, ideia que 200 anos depois, o historiador, matemático e filósofo inglês, Bertrand Russell, alertou: – “O medo coletivo estimula o instinto de rebanho e tende a gerar agressividade contra aqueles que não são considerados membros do rebanho”.
Assim chegamos à disputa pelo poder no Brasil que está dividindo o país entre “nós” e “eles”, passando à margem da Democracia por desrespeitar o contraditório e, ao assumir o poder, querendo sufocar a livre expressão do pensamento.
Esta polarização atinge a massa ignorante, fanatizando as duas bandas pelo culto à personalidade; disto, então, se apropriou o Sistema Corrupto manipulando as lideranças como bonecos articulados do teatro de fantoches.
No plano virtual, o confronto chega ao momento ideal, a eleição, fantasiando as partes como “de esquerda” e “de direita”, e confirmando a que as oposições serão sempre populares pelos erros do governo, acumulados desde a campanha eleitoral com promessas mentirosas e a seguir, assistencialismo populista, economia estagnada, ampliação de privilégios para os partidários, e alianças espúrias.
Assim, o espírito nacional fica travestido das paixões que, infelizmente, manterão a alternância eleitoralista condenada pelos que anseiam por um país desenvolvido com uma administração funcionando honestamente e uma Justiça boa e perfeita.
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