“Parece que o acidente da TAM agiu como catalisador de insatisfações difusas, desencadeou uma onda raivosa contra Lula, desinibiu ódios de classe, organizou anseios reacionários numa espécie de pauta embrionária do conservadorismo. O governo já é conservador, sabemos. Talvez não o bastante para quem acha que carrega o país nas costas porque paga imposto. De resto, a derrocada ética do PT, a desmoralização geral da política e o descaso prepotente do governo diante da crise aérea deram combustível à neodireita emergente.
Não são milionários (vão muito bem, obrigado). São, antes, a grande parte da elite que se vê como classe média eternamente ameaçada. Ora, praticamente 80% dos brasileiros ganham até cinco salários mínimos. É essa desigualdade brutal que está na origem da ilusão de ótica dos ricos de “classe média” que se dizem vítimas do país. Parecem ter medo, ódio e, agora, também inveja dos pobres. Razões econômicas para protestar? Talvez Freud explique”.
Fernando de Barros e Silva, articulista da Folha de São Paulo
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