“A troca de e-mails entre dois juízes do Supremo Tribunal Federal, comentando conteúdo de votos, divergências internas e teorias sobre ingerência indevida na indicação do substituto do ministro Sepúlveda Pertence, parece mais um problema de conduta pessoal do que propriamente uma questão passível de lançar suspeições às decisões da Corte. A informalidade com que os ministros Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski dividiram opiniões sobre disputas de poder dentro do tribunal, posições em relação ao tema em exame e variantes políticas ligadas à nomeação de ministros é bastante semelhante à falta de cerimônia reinante nos Poderes Executivo e Legislativo no tocante à liturgia mínima exigida por parte de ocupantes de altas funções públicas. Ambos fazem parte do grupo dos seis ministros indicados pelo presidente Luiz Inácio da Silva e deram na quinta-feira uma demonstração de que a indiferença ao cerimonial impressa como parâmetro de comportamento República adentro já contaminou o Supremo Tribunal Federal”.
Dora Kramer, jornalista
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