Aconteceu naquela noite
Foi também numa madrugada de 13 de dezembro que o Congresso Nacional impôs uma das maiores derrotas à ditadura militar que se instalara no Brasil em 1964.
Naquela noite histórica, a Câmara dos Deputados negou a licença pedida pelo governo federal para processar, pela Lei de Segurança Nacional, o deputado carioca Márcio Moreira Alves (MDB).
(Para se processar um parlamentar era necessário obter licença do Congresso. Isto acabou em 2001 ou 2002.)
No dia 2 de setembro, durante o pinga-fogo na Câmara (pequeno expediente), o deputado instou as moças brasileiras a não namorarem soldados, como forma de boicote à ditadura.
A ditadura começara a preparar o endurecimento do regime desde julho. Estava à procura de um pretexto, fornecido pelo discurso do deputado do MDB.
Todos ainda comemoravam a derrota imposta ao governo quando, na noite de 13 de dezembro de 1968 (“um dia que viverá para sempre na infâmia”), o Poder Executivo baixou o Ato Institucional nº5, o mais violento pacote da ditadura, que cassou o habeas corpus, restringiu as liberdades individuais, as prerrogativas da magistratura, determinou severa censura sobre meios de comunicação.
Muita gente foi presa. Muitos mandatos foram cassados. Muitos.
Boa parte dos deputados que negaram a licença para processar Marcio Moreira Alves foram cassados, a começar pelo próprio.
Começava ali o reino das trevas. A ditadura mostrava sua cara.
Lúcia Hippólito, cientista política
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