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PSDB negocia a CPMF contra a vontade da maioria

A cúpula do PSDB dissociou-se de sua base. Três generais da legenda –Tasso Jereissati, Sérgio Guerra e Arthur Virgílio— almoçam nesta quinta-feira com o minsitro Guido Mantega (Fazenda). Iniciam a negociação de um armistício com o governo num instante em que a maioria dos “soldados” da legenda engatilha os seus votos para disparar contra a emenda da CPMF.

“A bancada está fortemente empenhada em derrubar a emenda da CPMF”, disse ao blog Álvaro Dias (PR), vice-líder do PSDB no Senado. “Essa posição é quase unânime na bancada. Dos treze senadores, pelo menos nove se inclinam para votar contra o governo.”

“A minha convicção contra a CPMF é muito grande, não tenho disposição nenhuma de votar a favor”, ecoou o senador Marconi Perillo (PSDB-GO). “Seria preciso um fato muito expressivo, para me fazer mudar de opinião. Creio que esse é o sentimento da maioria da bancada.”

Nesta quarta-feira (24), véspera do encontro do generalato tucano com o lugar-tenente de Lula, Flexa Ribeiro (PSDB-PA) declarou enfaticamente, no plenário do Senado, que votará contra a prorrogação do imposto do cheque. O próprio Sérgio Guerra (PE), que assume a presidência do PSDB no final de novembro, disse ao repórter que, de fato, a maioria da bancada tucana “quer derrubar” a CPMF (leia entrevista abaixo).

Ora, se a aversão ao imposto do cheque é assim tão intensa no partido, por que diabos o PSDB negocia com o governo? “É uma questão de estratégia da cúpula, para demonstrar que o partido não é intransigente”, diz Álvaro Dias. “Mas a gente admitiu os movimentos feitos até aqui porque há a certeza de que o governo não vai aceitar as condições do partido. E ficaremos irredutíveis em relação ao fim da CPMF”.

“O partido fixou, em reunião da bancada, seis pré-condições. Todas são essenciais. Pelo que combinamos, não estamos dispostos a abrir mão de nenhuma delas. Ou o governo aceita as seis ou não aceita nenhuma”, diz Marconi Perillo.


Uma das condições estabelecida pelo tucanato –redução da vigência da nova CPMF de quatro para um ano— implicaria alteração da emenda já aprovada pelos deputados. O que acionaria aquilo que em “parlamentês” –a língua dos parlamentares— é chamado de efeito ping-pong: a emenda teria de retornar à Câmara, reiniciando toda a tramitação. Algo que Lula e seus ministros não admitem.

A intransigência do governo em relação a este ponto é como que festejada por Álvaro Dias: “O Lula já disse que não permite que seja alterada a emenda. O vice-presidente José Alencar também disse, aqui no Senado, que não pode alterar porque volta para a Câmara. Eu, então, me despreocupei com a negociação que a cúpula faz, exatamente porque ela não terá sucesso nenhum. E a bancada poderá votar, unida, contra a prorrogação”.

E se os governadores tucanos Aécio Neves (Minas) e José Serra (São Paulo) fizerem um apelo para que os senadores do PSDB votem a favor da CPMF? “Todos nós respeitamos os governadores. Mas voto é nosso. Nosso nome é que está em jogo”, responde Marconi Perillo. “Está em jogo também o nome do partido. A sociedade está cobrando do PSDB uma posição coerente de oposição firme ao governo. Um governo que é perdulário. Arrecada demais e gasta muito mal”.

“A maioria que quer rejeitar a CPMF, pelo menos nove senadores, teria muita dificuldade em aceitar apelo de quem quer que seja”, diz Álvaro dias. “Se queremos o partido unido, é melhor que os três ou quatro que ainda estão em dúvida acompanhe a maioria, que já decidiu rejeitar a emenda”.

Já nesta quinta-feira, depois do almoço com Guido Mantega, Álvaro começará a pressionar a direção tucana para que oficialize a posição da legenda. “Ficou estabelecido que o partido aguardaria uns 15 dias. Mas vou fazer um apelo para que o partido decida imediatamente”, diz ele. “Esperar mais tempo apenas aprofundaria o desgaste”.

Além de Perillo, Dias e Flexa Ribeiro, pendem para a rejeição à CPMF, segundo apurou o blog, pelo menos os seguintes tucanos: Mario Couto (PA), Marisa Serrano (MS), Papaleo Paes (PA), João Tenório (AL), Cícero Lucena (PB) e Lúcia Vânia (GO).

Fonte: Blog do Josias

Marjorie Salu

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Marjorie Salu
Temas: Notícias

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