Vidas roubadas pelo descaso
“A dignidade das vítimas do acidente com o Airbus da TAM e seus parentes continua sob escombros. Autoridades aeronáuticas e a companhia aérea passaram o dia num exercício intensivo, que começou de madrugada com as famílias dos mortos, de protelar explicações. De real, só a dor da perda. E o silêncio dos que acompanhavam o trabalho de resgate, numa reverência aos que ainda estavam soterrados em meio a ferragens e concreto. Enquanto corpos eram recolhidos, dezenas de aviões voltaram a decolar normalmente de Congonhas, sobrevoando a memória dos que padeceram na maior tragédia aérea do país. Com frieza em relação à vida, parlamentares aproveitaram para politizar as investigações”. (Jornal do Brasil)
Mortes na tragédia chegam a 192
“Pelo menos 192 pessoas morreram no acidente com o Airbus da TAM em Congonhas. Os mortos são os 186 ocupantes do avião – na véspera, a empresa informara 176 – e seis no solo. Há três desaparecidos. Até ontem à noite, 177 corpos foram resgatados. Mais três pessoas morreram em hospitais. O aeroporto foi reaberto pela manhã, 12 horas depois do desastre”. (Folha de São Paulo)
181 corpos retirados; MP pede fechamento de Congonhas
“Depois da maior tragédia da aviação brasileira, o Ministério Público Federal pediu à Justiça a interdição de Congonhas, até a conclusão das investigações sobre o acidente com o Airbus da TAM. Procuradores alegam que o fechamento do aeroporto é crucial para garantir a segurança de passageiros, funcionários de companhias aéreas e moradores da área do aeroporto. Antes mesmo de decisão judicial, a Aeronáutica decidiu manter interditada a pista principal até amanhã. A TAM informou ontem que havia 186 pessoas no Airbus, e não 176 como informara na véspera. Até o início da noite, 181 corpos tinham sido retirados dos escombros do prédio da própria TAM atingido pelo avião. Além de passageiros e tripulantes, morreram pelo menos duas pessoas que estavam no edifício. O governador José Serra disse que vai pedir ao governo federal a redução do número de vôos em Congonhas. O presidente Lula informou a auxiliares que pretende afastar a cúpula da Infraero; ele não vê ligação entre o acidente e a crise aérea”. (Estadão)
Infraero, Anac, Decea, Cindacta, FAB… e não se sabe o que houve
“Uma extensa burocracia, representada por uma sopa de letras das siglas de mais de dez órgãos oficiais, não foi capaz ontem de apontar na mesma direção na investigação das causas da maior tragédia da aviação brasileira. O mesmo já acontecia com o acidente da Gol, ano passado. As principais autoridades, a começar pelo presidente Lula e o ministro Waldir Pires, não apareceram em público. O presidente da Anac, a agência que regula o setor e autorizou a utilização desordenada de Congonhas, Milton Zuanazzi, sumiu e só fala através de nota oficial. O presidente da Infraero, José Carlos Pereira, tampouco apareceu. O chefe do Centro de Investigação da Aeronáutica (Cenipa), brigadeiro Kersul Filho, disse ser pouco provável que o excesso de água na pista tenha causado o acidente – mas os pilotos insistem nisso. As hipóteses de falha humana ou mecânica estão sendo consideradas, segundo ele, porque o avião estava acelerando, ao invés de frear, ao pousar. O Ministério Público pediu o fechamento de Congonhas. No vácuo de autoridades, um trabalho não parou: a contagem dos mortos. Já foram retirados 179 corpos, mas o número exato deve passar de 200”. (O Globo)
Em busca dos culpados
“A maior tragédia da aviação nacional provocou uma reação imediata em busca dos responsáveis pela morte de mais de 186 pessoas. As primeiras investigações indicam três hipóteses para o acidente com o vôo 3054 da TAM: falha do piloto, pane no avião ou problemas na pista do aeroporto de Congonhas. Fontes da Aeronáutica revelam que o piloto, ao tentar arremeter o avião, teria tocado uma mureta de proteção na pista de Congonhas. Sem estabilidade, o Airbus de 62 toneladas se chocou com o prédio da TAM Express. Em São Paulo, peritos ouvidos pelo Correio relatam que o avião da TAM demorou apenas seis segundos desde o momento em que saiu da pista até se espatifar no edifício da companhia. Fortemente pressionado por causa de mais um capítulo trágico da crise aérea, o governo determinou a abertura de inquérito para identificar se a pista de Congonhas foi liberada dentro das normas de segurança”. (Correio Braziliense)
Advogados ganham com apetite de fundos
“O crescimento das operações de fundos de private equity, que compram participações em empresas no Brasil, está movimentando também os grandes escritórios de advocacia e representa mais de 30% das operações de fusões e aquisições de algumas bancas. “É um nicho que tende a crescer. O mercado está muito aquecido”, afirma Maria Cristina Cescon Avedissian, do escritório Souza, Cescom Avedissian, Barrieu e Flesh. No Demarest & Almeida, as operações de private equity representam entre 30% e 40% do total de operações de fusões e aquisições realizadas pelo escritório. “Boa parte das operações (de fusões e aquisições) tem a participação de um fundo de private equity”, afirma o sócio do escritório José Dias. Há dois anos, o total dessas operações não representava mais de US$ 300 milhões”. (Gazeta Mercantil)
Tragédia de Congonhas tira fôlego do setor aéreo
“O trágico acidente com o Airbus da TAM, que provocou a morte de quase 200 pessoas em São Paulo, deve ter forte impacto econômico no setor aéreo brasileiro, que já se ressente das conseqüências da queda do Boeing da Gol, em setembro do ano passado. Ontem, as ações preferenciais da TAM foram as que mais caíram entre as do Índice Bovespa, 9,07%. As PN da concorrente Gol perderam 2,64%, a terceira maior queda, e as ON da Embraer, 1,37%, o oitavo pior desempenho. Vários bancos e corretoras, aqui e no exterior, que recomendavam investimentos no setor, resolveram revisar suas avaliações, prevendo queda nas receitas das empresas por conta do receio de voar que deve se seguir ao acidente no aeroporto de Congonhas. Diferentemente do acidente da Gol, este coloca em cheque todo o setor e a infra-estrutura aeroportuária do país”, afirma Eduardo Puzziello, analista da Fator Corretora, que está revendo as projeções para os papéis de TAM e Gol”. (Valor Econômico)
Vídeo mostra avião acelerado demais
“A principal pista para se chegar às causas do pior acidente da aviação brasileira são imagens de câmeras da Infraero. Elas mostram o Airbus da TAM aparentemente acelerando em vez de frear, segundos antes do choque seguido de explosão”. (Jornal do Comércio-PE)
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