Nosso artigo enviado à publicação no Jornal de Natal que circulará na segunda-feira, dia 9.
O teflon de Lula da Silva é coisa que até Deus duvida. Nada pega nele: filho e irmão fazem maracutaias; o ocupante de uma sala no Palácio do Planalto ao lado da sua achaca bicheiros; seu Ministro-Chefe da Casa Civil chefia uma organização criminosa sofisticada; companheiros da velha guarda do partido recebem propinas e incrementam a compra de parlamentares na Câmara dos Deputados; amigos do peito se metem com um dossiê fraudulento e dinheiro de origem desconhecida; e, um compadre de estreita intimidade chefia uma máfia de contrabando e jogo ilegal.
Agora faz parceria simétrica com Renan Calheiros formando um conjunto harmônico entre o PT-partido e a República das Alagoas, envergonhando os fundadores do partido e, pela primeira vez, rachando meio a meio a representação petista no Congresso.
Será que desta vez os letrados desta Nação perdoarão esta sociedade em conta de participação? Será que a militância original do PT comprará ações desta sociedade de fato, solidária e ilimitadamente?
Solidária e ilimitadamente como foi a primeira sociedade com Zé Dirceu, apanhado com a mão na massa e a boca na botija caindo por isso do ministério e tendo o mandato de deputado federal cassado. O que se ouviu do companheiro Dirceu à época? Que se tratava de um golpe das elites para desestabilizar o PT-governo e derrubar Lula da Silva.
O que diz Renan Calheiros agora? Que “setores da mídia, que não conseguiram derrubar o presidente Lula, querem ir à forra, querem ir ao terceiro turno, derrubando o presidente do Senado Federal”.
A dialética de Dirceu é igual à de Renan. Aliás, os dois têm a mesma origem política e igual degenerescência pessoal adotando o amoralismo como filosofia de vida. Um inventou o “golpe das elites” e o outro segue a mesma trilha, apontando a “conspiração da mídia”.
É chover no molhado falar de Dirceu, pessoa que viveu ao lado de uma mulher durante mais de dez anos sem revelar a identidade; é melhor repassar o embrulho em que Renan se meteu, por conta própria, que revelou sua dupla personalidade: a do político ascendente na esquerda lulista-petista e o homem ligado a uma empreiteira e íntimo de um lobista. Foi denunciado porque o lobista amigo pagava as suas contas pessoais, inclusive a pensão de uma filha fora do casamento e o aluguel da ex-amante.
Para se defender resolveu mostrar que possuía renda própria para arcar com a responsabilidade. E apresentou como prova documentos falsificados, cheques superpostos, notas fiscais frias e a propriedade de um rebanho virtual. É esta pessoa, meio política e meio infratora da lei e dos costumes, o sócio solidário do Presidente da República.
À sombra do poder se diz vítima de uma mídia “fascista” e “nazista”. É sobre a imprensa que ele despeja a sua ira e a culpa das denúncias que lhes são feitas. É uma tática que deve ecoar nas frações totalitárias do PT-governo, que vêem tentando desde o primeiro mandato de Lula da Silva disciplinar os jornais e os jornalistas.
Agora vamos ao cinismo explícito dos sócios da empreitada insana de desmoralizar o Congresso Nacional, para abrir o caminho que o coronel Hugo Chávez pisa na Venezuela. A imprensa vem resistindo porque é muito difícil convencer à opinião pública que vale a pena fechá-la; agora está sendo posta em prática a nova tática de investir contra o Poder Legislativo. Se este cair, a imprensa virá em seguida; e depois o Poder Judiciário será submetido. Aí está decretado o fim da Democracia.
MIRANDA SÁ, jornalista
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