Auto-retrato
O Pintor
El Greco (1541-1614) pintor espanhol, cujo nome de batismo é Domenikos Theotokopulos. Nasce na ilha grega de Creta, onde se supõe que aprende a pintar seguindo as tradições bizantinas. Perto dos vinte e cinco anos muda-se para Veneza; ali estuda com Ticiano e recebe a influência de Tintoretto. Deste período veneziano provém o seu magistral domínio da cor, que é uma das bases da sua extraordinária expressividade. Após uma breve estada em Parma, onde conhece a obra de Correggio, passa para Roma.
Os grandes trabalhos artísticos do Escorial atraem-no a Espanha; apesar do seu extraordinário São Maurício não ser aceito, El Greco estabelece-se em Toledo, onde rapidamente arranja abundante clientela, ganhando um grande prestígio. Passa o resto da sua vida nesta cidade, que representa várias vezes como fundo dos seus quadros.
El Greco alcança a sua plenitude estilística em contacto com a espiritualidade extrema então imperante em Castela. São características deste pintor a iluminação fantasmagórica e a sua particular proporção da figura humana, que representa alongada. Este alongamento é um recurso expressionista que acentua a exaltação mística dos personagens. Quanto à cor, da inicial riqueza cromática passa para uma gama de tons mais frios, quase metálicos, que acentuam a elevação espiritual.
As suas primeiras encomendas importantes em Toledo são o retábulo maior da Igreja de São Domingo-o-Antigo, em que se destaca a Trindade, e o Espólio. Nesta última tela, o cenário à veneziana desaparece quase por completo e a atenção fixa-se na túnica de Jesus, na armadura do capitão e no conjunto de cabeças, plenas de expressão.
A sua obra maior é O Funeral do Conde de Orgaz. Na metade inferior, Santo Estêvão e Santo Agostinho sustentam o cadáver do senhor de Orgaz; atrás deles, uma série de personagens vestidos de negro e com cabeção, com rostos cheios de espiritualidade, contemplam a cena ou olham para o céu.
Estas figuras são retratos de personagens toledanos da época; a criança que aparece em primeiro plano é Jorge Manuel, filho do pintor. O fundo brilha pela sua ausência: não há paisagem nem cenário arquitectónico. Na metade superior, sobre um fundo de anjos e santos figura Nosso Senhor flanqueado por S. João Baptista e a Virgem, que recebem a alma do defunto em forma de criança levada por um anjo.
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