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Duas orelhas de Lula e duas táticas do PT

Só a cólera explica a tremenda injustiça que Lula comete contra empresários e banqueiros que estariam por trás das vaias que, nos últimos tempos, rondam seu palanque. Ao dizer que não conhece nenhum deles com “biografia que lhe permita sequer falar em democracia nesse país”, atinge frontalmente figuras como Antônio Ermírio de Moraes, Jorge Gerdau e Lázaro Brandão, comandantes, respectivamente, dos impérios Votorantim (50 mil funcionários), Gerdau (32 mil) e Bradesco (80 mil). Tem razão quando diz que banqueiros e empresários “foram os que ganharam muito dinheiro” no ciclo que comanda. Ao insinuar, porém, que eles brincam com a democracia e tramam contra o êxito de seu governo, o orador beira a insensatez ou, para usar uma expressão de Elias Canetti, “sua verdade radicaliza no exagero”. Se Deus fez o homem perfeito, com duas orelhas, uma para ouvir vaias e outra para ouvir aplausos, como lembrou no discurso em Mato Grosso, deu-lhe também uma boca para dizer coisas sensatas.

Debitemos, porém, a extravagância discursiva de Sua Excelência ao momento de extrema sensibilidade que a Nação vive, agravado pela tragédia de Congonhas, cujos desdobramentos reacendem estopins políticos e voltam a incensar o discurso retrógrado: o de pobres contra ricos. Calma com o andor. As manifestações que se expandem, cujo foco clama por menos promessas e mais resultados, nascem no seio das classes médias, grupamento mais sensível aos impactos decorrentes do déficit de governança, dentro do qual se inserem a inação do Poder Executivo, o vazio do Poder Legislativo e a lerdeza do Poder Judiciário.

Gaudêncio Torquato, jornalista e professor

OPINIÃO: Ao contrário do que se possa pensar, o nosso Torquato Gaudêncio não fez ironia com o que Lula da Silva disse sobre os “ricos” pondo em prática a estratégia do projeto de poder petista, para dividir o Brasil e dominá-lo. Assim como o PT faz – com excelentes resultados – transformando o país em bicolor incentivando a separação inamistosa entre “negros” e “brancos” num cenário de miscigenação, seus agitadores atuam para dar a impressão de que o lulismo-petismo defende os “pobres” contra os “ricos”… Embora o Nosso Guia se mostre claramente como extremosa mãe dos ricos… MIRANDA SÁ

Miranda Sá

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