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DO PATRIOTISMO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Colisão de egos e desavenças geopolíticas trouxeram à baila uma velha polêmica sobre a diferença do Patriotismo com o Nacionalismo. As definições clássicas nos mostram que o Patriotismo é o amor pela pátria, pelo reconhecimento dos valores nacionais que se dispõe à sua defesa, até o sacrifício; o Nacionalismo é a subversão deste sentimento que converte o amor numa ideologia que leva ao totalitarismo.

A experiência histórica que nos leva ao século passado mostra a transformação do patriotismo à submissão cega ao regime dominante; exaltando nitidamente valores aos princípios fundamentados em concepção política e partidária, que incluem convicções, crenças, regras e punições.

Assim, viu-se no século 20 este quadro do patriotismo ser usado pelo ultranacionalismo nazista, defendendo a superioridade racial do “volk” alemão sobre todos os outros, subordinando a nação ao Führer por meio de propaganda e da violência.

Na Itália, também, o fascismo promoveu com a exaltação às glórias do Império romano a ideia do “homem novo”, do militarismo e a subordinação do indivíduo ao Estado; dessa maneira extinguiu as liberdades democráticas reprimindo os opositores.

Neste tempo pretérito assistimos no regime stalinista da URSS, a traição do princípio socialista do internacionalismo, institucionalizando o patriotismo com o forte culto à “pátria soviética” que, para impor unidade absoluta em torno do ditador, patrocinou uma repressão massiva com os chamados expurgos e processos fatais dos dissidentes.

Na conjuntura dos anos 1900 que percorremos com uma lanterna nas costas, levamos a luz para frente a fim de ver com clareza a conjuntura que inspirou o estudo do patriotismo: a ascensão de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos.

No país que tem à entrada a Estátua da Liberdade, chegou à política “America First“, o projeto de construção de um patriotismo performático e excludente, voltado para o culto de um nacionalismo competitivo.

Podemos incluí-lo entre os que trocaram o amor pela pátria por discursos inflamados, marquetagem visual dos tanques em Washington, paradas militares e passeatas embandeiradas à moda de Goebbles. O pior é que este falso patriotismo a gosto da ultradireita herdeira da Ku-Klux-Klan, atravessa as fronteiras norte-americanas com ameaças a outros países.

As sanções políticas e econômicas extremadas alcançam até o aliados tradicionais e pesam mais para o circuito China-Rússia e sua área de influência alcançada pelos BRICS, chegando ao Brasil respondendo a presidente Lula que candidato, e depois de eleito, atacou e ataca pessoalmente o presidente Trump.

Como inegável, isto me leva a constatar o choque psicopático de personalidades, em que o patriotismo fica resumido a um simples slogan estratégico; e, no caso brasileiro, mostra que a patriotada verde-amarela desmascarada dos Bolsonaro foi adotada por Lula e seus seguidores, decepcionando a esquerda autêntica.

Aliás uma decepção que vem de longe, quando o crítico, biógrafo, ensaísta, poeta e lexicógrafo inglês Samuel Johnson, ilustre figura da intelectualidade britânica, atacou os oportunistas da Câmara dos Comuns que justificaram o belicismo colonial, dizendo que “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas”; uma definição que desperta o desejo de usá-la contra os oportunistas de hoje.

Com relação a Trump, passo a editoria para The Washington Post, analisando que a política trumpista reduz amor à pátria a uma encenação, ignorando o que o país realmente representa.

E, no âmbito doméstico, vê-se com uma clareza meridiana que patriotismo substancial – a devoção à Pátria que mora no coração dos brasileiros – é trocado politicamente e aproveitado para revigorar a popularidade de Lula, que estava em baixa, pelos desmandos pessoais dele, preso à memória do peleguismo sindical.

… E desta maneira se iguala a Bolsonaro, que vestiu a camisa da seleção brasileira para vender seu pretenso patriotismo.

Estes dois oportunistas, Jair e Lula, que polarizam eleitoralmente, refugiam-se no sentimento patriótico nacional em proveito próprio. Esperamos que o eleitorado desperte para isto e ceda lugar a uma terceira opção que não roube como os populistas corruptos, a definição de patriotismo.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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