Conhecido dos amantes da leitura pelos romances Guerra e Paz e Anna Karenina, o escritor russo Leon Tolstói fez incursões pela Filosofia e, ao meu modo de ver, foi quem melhor definiu o Humanismo com uma frase antológica: “Se você sente dor, você está vivo. Se você sente a dor das outras pessoas, você é um ser humano”.
O alcance do Humanismo é profundo. Trata-se de uma corrente de pensamento que coloca o ser humano, sua dignidade, sua razão e sua capacidade de agir no centro das reflexões éticas, filosóficas, políticas e sociais.
Como verbete dicionarizado, a palavra Humanismo é um substantivo masculino derivado do latim “humanitas”, termo utilizado na Roma Antiga para designar a formação cultural, moral e intelectual do indivíduo.
A História da Civilização capitula que aproximadamente entre 45 mil e 40 mil anos atrás tivemos a total transição do neandertais para o homo sapiens, após conviverem por um período em que houve contato direto e cruzamentos entre as duas espécies, fato comprovado pela análise de DNA.
Com a evolução civilizatória, o homo sapiens – nós, hoje -, criou a Filosofia e chegou ao Humanismo, uma corrente cultural que torna o ser humano e os valores individuais acima de todas as coisas, tornando-se o centro da vida política e social.
Esta ideia renasceu das mentes iluministas na Europa do século 18, obedecendo ao princípio de que todos os seres humanos possuem direitos naturais, como a vida, a liberdade e a busca da felicidade.
Poucos anos depois, a Revolução Francesa difundiu o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, que se tornou referência para diversos movimentos democráticos.
Atravessando o Atlântico Norte este avanço intelectual influenciou a independência das Treze Colônias britânicas na América do Norte, culminando na Declaração de Independência dos Estados Unidos, de 1776, tendo Benjamin Franklin um dos principais líderes do movimento, ao lado de Thomas Jefferson e John Adams.
Também no Brasil, refletiu a compreensão humanista do Iluminismo, inspirando a Revolução Pernambucana em 1817 e a Confederação do Equador, em 1824, que defenderam os princípios de liberdade, soberania popular, igualdade perante a lei e limitação do poder absoluto. Nossa História destaca a figura ímpar de Frei Caneca, defensor de que somente eleito pelo povo, o poder teria legitimidade.
Embora ambos os movimentos humanistas brasileiros tenham sido duramente reprimidos, deixaram um importante legado para a formação do pensamento liberal, constitucional e democrático no País, chegando na chamada Primeira República com a oficialidade militar, intelectuais e a burguesia urbana que adotaram o lema positivista “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”, materializado na Bandeira Nacional.
É impossível negar que adotando a Democracia como circunstância dos direitos humanos e a limitação do poder do Estado, o Humanismo tornou-se uma doutrina que alicerça o Estado Democrático de Direito.
Assim, estabelecendo que o ser humano é a medida de todas as coisas, o Humanismo destaca a sua dignidade como pessoa, a sua liberdade como razão de ser e seu poder de agir no centro das reflexões filosóficas, éticas e sociais.
Por consequência ideológica o Anarquismo, registra a defesa de uma sociedade sem dominação política e econômica, baseada na cooperação voluntária, na igualdade entre os indivíduos e na fraternidade como fundamento das relações sociais; tendo o contraponto de muitos religiosos humanistas com uma percepção que concilia a fé, a educação e o desenvolvimento das capacidades humanas.
Infelizmente, na política contemporânea globalizada e mediocrizada, o Humanismo sofreu a distorção demagógica do populismo que o dissociou da defesa da liberdade de consciência e de expressão, para utiliza-lo de maneira distinta: cria pessoas de segunda classe, dependente dos governos em vez de dar-lhes os direitos civis.
É isto que vemos no Brasil de hoje; a alternância no poder entre populistas fingindo o enfrentamento, auto assumidos como de “Direita” e de “Esquerda” para iludir quem não aprendeu o que é o Humanismo, nem dar atenção aos direitos humanos.
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