Depois de escrever sobre o Humanismo, com mais de 50 notificações aplaudindo o texto, acho que é chegada a vez de escrever sobre a Humanidade, protagonista planetário do avanço humano na marcha pela civilização.
E tudo começou no século 18 com a filosofia de Augusto Comte, o Positivismo, que foi destinado a reorganizar a sociedade após a profunda crise provocada pela Revolução Industrial.
Herdeiro cultural de ascendentes paternos positivistas (meu bisavô Crisanto e meu avô Henrique foram mestres do Templo Positivista no Rio), sinto-me à vontade de falar sobre a matéria.
Comte foi um filósofo francês aclamado literariamente ainda bem moço com sua trilogia semiautobiográfica, “Infância, Adolescência e Juventude”, e na maturidade criou as bases do Positivismo em conformidade com a chamada Lei dos Três Estados: o Teológico, o Metafísico e o Positivo.
O objetivo de substituir explicações baseadas no sobrenatural pelo conhecimento fundamentado em fatos verificáveis, Comte propôs um sistema moral e cívico para preservar os valores de solidariedade, altruísmo e ordem social.
Assim nasceu a Religião da Humanidade que, como o budismo, é uma crença sem um deus humanizado, pondo no lugar simbólico de veneração a “Humanidade”. A sugestão nunca alcançou a dimensão das religiões tradicionais, mas deixou duradouro legado na Ciência Sociológica e na organização das instituições modernas.
Entrando na nossa História, a ideia chegou ao Brasil na 2ª metade do século 19, com enorme aceitação entre intelectuais republicanos e oficiais do Exército, estes últimos sob a influência de Benjamin Constant, professor, e principal articulador ideológico da Proclamação da República, por isto alcunhado de “Fundador da República”.
Após a Proclamação, os princípios positivistas inspiraram a organização do novo regime e marcaram a chamada Primeira República; sua influência permaneceu simbolizada na Bandeira Nacional, no lema “Ordem e Progresso”, inspirado na máxima de Comte: “O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim”.
A intelectualidade brasileira estendeu o Positivismo por muitos anos, associado à defesa da Democracia, dos Direitos Humanos, da Justiça Social e do respeito à Dignidade da Pessoa.
Houve até uma época em que os marxistas brasileiros (Luiz Carlos Prestes, inclusive) traziam ideologicamente matizes positivistas, como hoje os comunistas chineses misturam Marx com Confúcio….
Apesar do Humanismo ser parte programática de diferentes matizes políticas, liberais, social-democratas e democratas-cristãos reivindicando seus princípios, interpretam-no fora do contexto positivista, a organização social para o bem-estar humano, a convivência pacífica, educação integral da cidadania e uma Justiça íntegra.
Vê-se assim que o Humanismo permanece como uma referência ética e filosófica reconhecendo Comte como um dos fundadores da sociologia, pioneiro da ideia de que o conhecimento científico é eficaz para construção de uma sociedade racional.
Mais do que a Filosofia Sociológica, o Positivismo reuniu na Europa e nas Américas todos os conscientes defendendo que o progresso civilizatório da Humanidade seria melhor com o modelo republicano e democrático.
Pena que a mediocridade triunfante leva os atuais chefes de nações europeias ao funesto populismo, aceito pelos povos arrebanhados pela propaganda maciça. Vê-se principalmente entre nós, latino-americanos, levando-nos à definição de Roberto Campos: “O que os governos populistas latino-americanos desejam é um capitalismo sem lucros, um socialismo sem disciplina e investimento sem investidores estrangeiros”.
Pela Geopolítica e a Sociologia não fica difícil avaliar que esta insanidade político-ideológica traz na sua essência o desprezo pelo Humanismo. Não há exemplo melhor do que temos no Brasil: uma estúpida polarização eleitoral com o confronto fingido dos populistas corruptos, a mafiosa Famiglia Bolsonaro e o desonesto pelego Lula da Silva.
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