Lula tem um método peculiar de trocar ministros e funcionários graduados do governo. É um processo caoticamente meticuloso. Ele pensa duas vezes. Três. Quatro. Cinco… Analisa nomes alternativos. Ouve os amigos. Depois, decide não decidir. Mantém nos cargos os candidatos à demissão. Repete o procedimento várias vezes. Súbito, quando não há mais alternativa, a decisão está tomada. E o presidente limita-se a homologá-la.
Veja-se o caso de Waldir Pires. Não foi demitido. Definhou no cargo. O indefeso ministro da Defesa deixa a Esplanada em avançado estágio de decomposição. Junto com ele, vão ao esquife outros cadáveres insepultos –o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, por exemplo.
Durante dez meses, o presidente da República vinha sendo convidado a gerir a crise aérea. Depois da tragédia com o Airbus da TAM, passou a ser presidido por ela. Lula faz por pressão o que não fizera por obrigação. Anuncia decisões tomadas pelas circunstâncias, à sua revelia.
Josias de Souza, jornalista e blogueiro
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