Renan Calheiros apodrece a olhos vistos
MIRANDA SÁ, jornalista
Renan Calheiros quase ex-futuro presidente do Senado Federal e ex-senador, apodrece a olhos vistos. Embora recebendo o apoio descarado de Lula da Silva e do peleguismo degenerado pela ausência de ideologia e pelo puxa-saquismo corrompido e indigno, Renan é um cadáver putrefato, mas ainda insepulto. Por não ter descido ainda à cova, é um zumbi que se move sem alma; e a maior prova disso é ter subido – pela primeira vez – à tribuna da sessão senatorial descendo da posição privilegiada da cadeira da presidência.
Já não é o mesmo dos primeiros dias, quando pensou enganar o povo brasileiro, com apoio dos caudatários do poder e os paus-mandados do Palácio do Planalto. Desceu aos fuxicos alagoanos acusando nominalmente seus adversários regionais, Heloísa Helena e João Lira, atirando a esmo para atingir a Editora Abril, cuja revista semanal “Veja” é severa no levantamento da sua história política pregressa, das suas atitudes ilícitas e da personalidade abastardada pela ganância pessoal e as vantagens que o poder oferece.
Em curto discurso de 20 minutos Renan aventurou-se a se passar por vítima, quando é na verdade suspeito de espertezas como aproveitador dos cargos políticos para o enriquecimento pessoal. Por isso silenciou sem desconsiderar a quebra dos seus sigilos bancário e fiscal, a partir de 2000, concedida pelo Supremo Tribunal Federal por intervenção do ministro Ricardo Lewandowski, relator do inquérito que investiga suas despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior.
A decisão de Lewandowski atende ao pedido do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza; e solicita à mesa do Senado para providenciar uma cópia da representação do PSOL contra Renan. Outro castigo veio do próprio Senado, com a Mesa Diretora decidindo encaminhar ao Conselho de Ética abertura do novo processo por quebra de decoro parlamentar de Renan por atuar em favor da cervejaria Schincariol.
A decisão foi tomada por 5 votos a 2, com a maioria composta pelos senadores Álvaro Dias (PSDB), Magno Malta (PR), César Borges (DEM), Antônio Carlos Valadares (PSB) e Gérson Camata (PMDB). Vergonhosamente, votou pelo arquivamento do processo o senador Tião Viana, do PT, associando seu nome a um fato escabroso que deslustra o Congresso Nacional. O subalterno representante do Acre foi acompanhado pelo senador Papaléo Paes que discrepou da orientação do seu partido, o PSDB.
O parecer do advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, sugerindo o arquivamento do requerimento do PSOL foi derrotado, abrindo as investigações sobre a denúncia da revista “Veja” da intervenção de Renan no INSS e na Receita Federal, em defesa da Schincariol. Logrando êxito, a empresa pagou em troca R$ 27 milhões por uma fábrica de refrigerantes do deputado Olavo Calheiros.
Este é o começo do fim, porque está chegando a hora de enterrar Renan Calheiros e com ele o desgaste que o Congresso Nacional está passando.
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