Escrevi anteriormente sobre a última pesquisa Datafolha, enfocando a disputa de pontos da presidente Dilma Rouseeff e o ex-presidente Lula da Silva. Lembrei que as pesquisas refletem um momento, mas que estas trouxeram duas marcas indeléveis, a atração que o poder exerce sobre as pessoas e o ostracismo de quem está fora dele.
Motivado por e-mails recebidos e intervenções no Twitter desejo somar opiniões a respeito deste assunto, primeiro, concordando que a aprovação do novo governo por 47% não vai influir muito no comportamento da Presidente, exceto por se sentir blindada dos ataques que sofre do PMDB e outros partidos aliados na sofreguidão de conquistar cargos e verbas.
Em segundo lugar, idéias à frente das minhas consideraram que os números não traduzem a transferência do culto da personalidade de Lula para Dilma, até porque ela perde na projeção pessoal, sem o carisma e a indiscutível malandragem de Lula. Aceito, também esse modo de ver, pois o surto do endeusamento “do Chefe” pelo partido não tem vez quando “o Chefe” foi imposto.
É cedo para se tirar ilações sobre o futuro do governo, com exceção das relações do Executivo com os outros poderes republicanos, o Judiciário e o Legislativo.
Nestes inícios do dilmismo achamos que a Justiça, pelo STF, não será cega, nem surda, vendo e ouvindo os pleitos da Presidente, principalmente pelo voto desempatador do ministro por ela indicado, Luiz Fux, no caso dos Fichas Limpa. A declaração dele, trivial na linguagem juridicez, mostrou a que veio.
Já no caso do Legislativo, o Congresso não mudou muito desde o tempo em que Lula da Silva denunciava nele a existência influente de 300 picaretas. Estes cresceram em número e sem-vergonhice. Por isso Dilma deverá enfrentar turbulências sob o “fogo amigo” dos aliados e parceiros.
Antes que alguém se apresse a me lembrar, o governo detém as presidências das duas casas, Câmara dos Deputados e Senado Federal que, com manobras parlamentares e maiorias eventuais deverão aprovar medidas provisórias e até propostas de emendas constitucionais.
Só se verá resistência dos 300 ou 400 picaretas se tentarem tocar nos seus privilégios, interesses que só pontualmente aparecerão nos projetos das reformas política, previdenciária e tributária.
Com a caneta na mão e o autoritarismo, Dilma só não aprovará as medidas que prometeu na campanha se não quiser. A “base” só exige um pouco de atenção e a oposição está que nem cego no meio do tiroteio.
Há, todavia, um nó difícil de desatar: as infindáveis obras do PAC, agora sacudidas por greves e imprevisível relacionamento das empreiteiras com os trabalhadores e a intervenção fascistóide dos pelegos da CUT.
A “mãe do PAC”, ao meu modo de ver, deve obrigações a seus filhos, alisados e exaltados durante a campanha eleitoral, sem dúvida, com efeito positivo junto ao eleitorado. Não é pesquisa, nem juiz e muito menos parlamentar que deverão ajudá-la a fazer seus “filhos” crescerem fortes e bem educados…
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