“Todo ano é assim: vai chegando agosto e começam as ameaças de greves pelo país afora. Neste ano, porém, há ingredientes mais complexos e o segundo semestre promete. O primeiro desses ingredientes é que realmente a economia está se “aquecendo”, como gostam de dizer os economistas, e é um bom momento para reivindicar aumentos salariais e até participação nos lucros das empresas, como querem algumas categorias. O segundo é que está-se esgotando o excesso de condescendência das esquerdas organizadas com o governo Lula. Por muito menos do que mensalão, cuecão, dossiê e todas essas coisas, eles já estariam na rua há muito tempo contra outro governo, qualquer outro governo. Menos esse que está aí.
Então, a hora é de ficar de olho nas centrais sindicais, que reúnem algo em torno de 15 milhões de trabalhadores, como metalúrgicos, bancários, eletricitários, químicos e petroleiros. Gente da pesada, acostumada a enfrentar, confrontar, negociar — e ganhar. Muitas dessas categorias têm data-base agora, no segundo semestre. E muitas são particularmente fortes no setor público”.
Eliane Cantanhêde, jornalista
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