OPINIÃO
De palanque em palanque
Presidente mais popular da história da Nova República, Luiz Inácio Lula da Silva se comporta como se estivesse ameaçado de perder esse apoio, que não pára de aumentar, como se, neste momento, a oposição tivesse condições de abalar sua posição hegemônica no cenário político nacional. A situação é surrealista. Ocupando praticamente todos os espaços do palco político, o presidente sobe ao palanque, dia sim, o outro também, para investir, obsessivamente, contra aqueles que por várias razões acabaram relegados à função de coadjuvantes do repetitivo espetáculo – “interlocutores afônicos”, diria o ex-presidente Fernando Henrique, do debate público nacional. A argumentação lulista não prima propriamente pela variedade. Os seus monólogos arrogantes e, às vezes, raivosos se resumem a dois temas: o bem sem precedentes que ele faz ao povo e o mal imitigado que lhe fizeram os que o precederam no poder.
(Editorial do Estadão)
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