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VENENO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

A ciência é o grande antídoto contra o veneno do entusiasmo e da superstição“ (Adam Smith)

No ano de 1973 foi lançado um filme do gênero terror sobrenatural que tirou o sono de muita gente: “O Exorcista” (The Exorcist), com o roteiro baseado no livro com título homônimo escrito por William Peter Blatty e dirigido por William Friedkin.

A crônica cinematográfica informa que a história foi supostamente inspirada no caso real do pré-adolescente Robbie Manheim que vivia em 1949 na cidade de Cottage, em Maryland, nos Estados Unidos, que sofreu uma possessão demoníaca.

Verdade ou simplesmente ficção fantástica, tal situação deixa o registro com o parecer de um protagonista do filme: – “o demônio é um mentiroso. Ele vai mentir para nos confundir. Ele também vai misturar mentiras com a verdade para nos atacar”.

As mentiras demoníacas, mesmo em gotículas, são um veneno que transtorna a realidade e comprometem os que vivem no entorno do mentiroso.

Gramaticalmente, a palavra “Veneno” é um substantivo masculino de etimologia latina “venēnum”, designando substância tóxica, natural ou preparada, ou altera ou destrói as funções vitais de um organismo. Acrescente-se que reflete a interpretação maldosa ou deturpada de algo. E o maior veneno secretado nos nossos corações e mentes é a mentira.

A mentira pactua com a perversidade, obrigando-nos a fugir dos seus efeitos danosos ao degustar o fruto da árvore da ciência do bem e do mal, aquela que o grande Arquiteto do Universo proibiu a Adão e Eva; a Ciência, como diz Erasmo de Rotterdam no seu “Elogio da Loucura”, é o veneno da felicidade.

Para sermos felizes sem alienação é necessário repudiar a maléfica mentira propiciada pelo mundo político; principalmente a intoxicação produzida pelas promessas eleitorais que envenenam as nossas aspirações e interesses.

Verdade se diga que todas as substâncias são venenos, mas não há mentira que não seja um veneno. Leve-se em conta, entretanto, que o Tito Lucrécio Caro, poeta e filósofo da Roma Antiga, classificou veneno como intriga, dizendo que “o que é alimento para uns, para outros é um veneno amargo”.

Este pensamento nos leva aos comentários que se multiplicam em Brasília sobre a recriação do Ministério do Trabalho, que sob o comando do fraudulento Onix Lorenzoni, se incumbirá de atrair a pelegada com a volta do abominável imposto sindical. É veneno para o povo e alimento para a pelegagem.

Investe-se de poder este Ministro “de qualquer ministério” para angariar apoio político e votos para a reeleição do Capitão Minto. Vem somar-se ao “Tratoraço” – o “Mensalão”, na versão da nomenclatura bolsonarista -, compra de parlamentares inventada por Fernando Henrique Cardozo e adotada ardilosamente pelo lulopetismo.

E foca também à disposição da patota de Carluxo, outro termo na novilíngua, o novo cognome de “Propina”; que passou a ser “Comissionamento” para os arrecadadores do negativismo lucrativo do bolsonarismo….

Desse jeito, fica transparente e corrosivo o veneno da corrupção para desfrute dos bajuladores que infestam o “cercadinho” do Palácio do Planalto e enxameiam as redes sociais, onde “sobra algum” dos gastos publicitários para os que disseminam as fake news do gabinete do ódio.

Ocorreu, e parece que vem ocorrendo, com a divulgação em massa em defesa do tratamento precoce para a covid-19 e trazendo depoimentos de cura pelo uso de remédios ineficazes para a doença, cloroquina, hidroxicloroquina e Ivermectina.

Talvez por falta de verbas, ainda não vi nenhum adjutório para a nova droga saída da mente inescrupulosa de Bolsonaro, a proxalutamida. Mas certamente teremos em breve os bolsonaristas do Centrão repetindo o diagnóstico fraudulento nas redes sociais garantindo a que “achismo” do Chefe é genial.

Esta idolatria estúpida nutrida com o veneno das mentiras, fortalece a convicção dos tolos; da minha parte, prefiro a oração de Gandhi: “Meu Senhor, ajude-me a dizer a verdade diante dos fortes e não dizer mentiras para ganhar o aplauso dos débeis”.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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