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Unidos pelo cartão corporativo

Abrindo aspas para o deputado Fernando Gabeira

“O pequeno grupo independente da Câmara dos Deputados tem hoje uma difícil missão: definir seu papel na proposta de CPI acordada pelo governo e o PSDB. O primeiro aspecto que se deve ressaltar: toda vez que uma nova CPI se instala, as mesmas pessoas são convocadas a colher assinaturas, algo difícil, as vezes até constrangedor. Quando se falou, pela primeira vez, numa CPI dos cartões corporativos, nossos nomes foram apontados como os responsáveis pela busca de assinaturas.

No entanto, ao firmar um acordo com o governo, o PSDB esqueceu, precisamente, de ouvir aqueles que se encarregam de colher assinaturas; isto é, os que tornam viável uma CPI, obtendo a adesão de 171 parlamentares e, nos últimos momentos, evitando que alguns retirem seu nome, por pressão do governo. Não fomos ouvidos porque não somos mais necessários. Se o governo e o PSDB, com apoio do DEM, fazem um acordo, automaticamente as assinaturas vão aparecer, uma vez que é dado o sinal verde de cima, das lideranças e do Planalto.

Nada temos contra uma CPI mista. Nossa intenção era de criá-la. No entanto, não concordamos com a tese de uma CPI “civilizada”, que deixe de fora, deliberadamente, pontos importantes da investigação. Isso só vai ampliar a desconfiança da sociedade e fortalecer a tese de que são todos farinha do mesmo saco. Lutando contra governo e PSDB, como fizemos com a candidatura da Terceira Via, não chegamos além de 80 nomes. Aliás, o PSDB, através dos governadores Serra e Aécio, fez um acordo para eleger o presidente da Câmara, contra nosso pequeno grupo.

O próprio deputado Carlos Sampaio votou no candidato do PT, obtendo o cargo de Ouvidor na atual mesa da Câmara. Diante dessa novidade, a união dos grandes partidos da oposição com o governo, o caminho fica mais estreito, pois uma das vantagens para eles é exatamente a nossa exclusão. Aliás, não temos essa importância, a ponto de se preocuparem conosco. É que com a nossa exclusão excluem, na verdade , a expectativa de transparência que existe na opinião pública.

Derrubada a tese de segurança para proteger gastos presidenciais, ressurge a tese da proteção à privacidade familiar de todos os presidentes.
É possível respeitar, simultaneamente, segurança e privacidade, apurando o que houve, de fato, e definindo regras claras para o futuro. Eis nossa tarefa. Mais uma vez, tentaremos remar contra a maré.”

Marjorie Salu

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Marjorie Salu
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