ARTIGO DE FUNDO
6 de junho de 1908
Ahi vae a nossa Careta.
Lançando a publicidade este semanario, é preciso confessar, e contrariamente o fazemos, que a Careta é feita para o Publico, o grande e respeitavel Publico com P. grande!
Se tomamos essa liberdade foi porque sabiamos perfeitamente que elle não morre de caretas.
Longe vae o tempo em que isso acontecia.
Todavia, a nossa esperança é justamente que o publico morra pela Careta, afim de que ella viva.
E feita cynicamente, essa confissão egoistica (nós estamos no seculo XX) digamos logo que o nosso programma cifra-se unicamente em fazer caretas.
Careta como toda gente sabe, e se não sabe, devia saber, é assim uma espécie de cara pequena, conforme a abalisada opinião do Candido de Figueiredo, e se não for, é a mesma cousa.
Ora por ahi existe muita gente de quem se diz ter duas e mais caras; não é demais, por consequencia, que nós tenhamos uma porção de caretas que iremos mostrando todos os sabbados, á razão de uma tuta e meia (tuta em latim corresponde a 200 réis, segundo o Dr. João Ribeiro).
As nossas caretas são sérias como as sessões do Instituto Histórico e a sua perfeição e semelhança garantidas.
Mas nunca fiando… Quem vê caretas, não vê corações.
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