Dois dias após o terremoto no Haiti, Porto Príncipe ainda não começara a reagir à tragédia que arrasou a capital mais pobre das Américas. A reportagem da Folha de São Paulo percorreu a cidade de carro ontem e encontrou centenas de corpos em decomposição acumulados, casas destruídas e sobreviventes sob os escombros, em meio à ausência quase completa do Estado.
A partir de observações de campo, a Cruz Vermelha estimou em 45 mil a 50 mil os mortos no tremor de terça. Segundo a ONU, porém, a avaliação de que as vítimas podem ter chegado a 100 mil é “coerente”.
Brasileira anda 25 km e passa 4 horas à procura dos dois filhos
A brasileira Eliana Nicolini, funcionária da ONU no Haiti, viu o prédio em que trabalha desabar, fugiu e andou 25 km até o hotel onde mora. Encontrou o hotel destruído e levou quatro horas até achar seus dois filhos. No aeroporto, alagado e repleto de escombros, dezenas aguardavam voos para fora do país.
Sobe para 15 número de mortos brasileiros
Subiu para 14 o número de militares brasileiros mortos no Haiti. Eles serão homenageados como heróis pelas Forças Armadas. O corpo da médica Zilda Arns, da Pastoral da Criança, chegará hoje a Curitiba. Ainda há quatro desaparecidos: três militares e o diplomata Luiz Carlos da Costa, da ONU.
Países ampliam socorro ao Haiti
A tragédia provocou uma mobilização internacional de ajuda humanitária ao Haiti. Recursos financeiros, materiais e pessoal estão sendo enviados de todas as partes do mundo. EUA, FMI, Banco Mundial e BID doaram, em conjunto, US$ 500 milhões. Diversos países fazem doações individuais, incluindo o Brasil, que destinará US$ 15 milhões, além de equipamentos, pessoal e 14 toneladas de alimentos. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, propôs ontem a convocação de uma conferência internacional para a reconstrução do Haiti.
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