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DA IDEOLOGIA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

A palavra ideologia, foi criada pelo filósofo Antoine Destutt de Tracy no final do século 18, significando originalmente “ciência das ideias”; a palavra dicionarizada é um substantivo feminino, significando um conjunto lógico e coerente de ideias, crenças, valores e normas usados por indivíduos ou grupos para interpretar a realidade.

Ideologia etimologicamente se origina do francês Idéologie, a partir dos termos gregos idea (forma, conceito) e logos (estudo). No plano filosófico inicial, o termo tinha pretensão científica, ligado ao estudo da formação das ideias humanas; no correr da História, porém,  adquiriu  a partir do século 19 novos conceitos.

O processo evolutivo da definição de Ideologia trouxe controvérsias; para uma corrente, é simplesmente a visão inevitável da realidade, presente nas relações sociais. Outra, enxerga o contrário, vendo-a como uma distorção da realidade, usada politicamente como um instrumento de poder e persuasão.

No livro “A Ideologia Alemã”, da autoria de Karl Marx e Friedrich Engels, encontra-se a definição de ideologia como uma forma de consciência invertida da realidade, isto é, um sistema de ideias que oculta ou distorce as condições materiais e históricas da sociedade.

Posteriormente, teóricos como Antonio Gramsci, ampliaram o conceito ao introduzir a noção de hegemonia, mostrando que a Ideologia também atua por meio do consenso cultural, e não apenas pela imposição; Louis Althusser vai além, considerando que a ideologia está presente nas práticas e instituições cotidianas (como escola, família e mídia), moldando a forma como os indivíduos percebem o mundo.

Segundo essa perspectiva, as ideias dominantes de uma época tendem a ser as ideias da classe dominante.

Além dos limites do marxismo, a Ideologia funciona como um instrumento de poder legitimado pela ordem política e social, cobrindo interesses coletivos e particulares, sob a autoridade governamental; e o termo tornou-se polissêmico, podendo indicar doutrinas políticas legítimas e seu inverso, sistemas dogmáticos ou propagandísticos.

Para os pensadores herdeiros de Adam Smith alinhados ao liberalismo econômico, a noção de Ideologia é tratada com desconfiança crítica. Esses autores tendem a vê-la como um conjunto rígido de ideias que pode distorcer a compreensão da ordem social.

É interessante salientar que a economia capitalista se confronta com o excessivo intervencionismo e a limitação das liberdades individuais defendidos pelas doutrinas totalitárias; valoriza o Mercado considerando-o um sistema dinâmico, capaz de coordenar ações sem a interferência governamental.

Esta oposição aos sistemas considerados ideologicamente rígidos como um risco à liberdade e à complexidade da sociedade, aproxima-se contraditoriamente da Ideologia dos populismos auto assumidos como “de esquerda” ….

Como exemplo, vemos seguramente que isto é adotado pelo populismo assistencialista da América Latina, que opera com forte intervenção estatal e apelos pragmáticos nem sempre alinhado ao racionalismo desenvolvimentista.

As práticas contemporâneas dos populistas latino-americanas levam-nos ao genial Roberto Campos, que escreveu: “O que os governos populistas latino-americanos desejam é um capitalismo sem lucros, um socialismo sem disciplina e investimento sem investidores estrangeiros”.

Este pensamento cai como uma carapuça na cabeça dos políticos brasileiros que vivem sob o signo da polarização eleitoral do populismo assistencialista, do pelego sindical Lula da Silva e da Famiglia Bolsonaro, ambos defensores da política distributiva das bolsas disto e daquilo, que inibem o progresso econômico.

A banda que assume atualmente o poder, o “lulopetismo”, reprime a Democracia que ideologicamente desejada pelos brasileiros que exigem instituições republicanas passíveis de crítica, o que não ocorre sob a tirania do Complexo STF-Lula.

Marjorie Salu

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