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DOS GUARDIÕES

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Tem impressionado os cientistas políticos e historiadores independentes, provocando debates e aversão, o uso e abuso do epiteto “Guardiões da Democracia” usado por alguns ministros do STF para si mesmos, servindo até na propaganda televisiva do TSE (não sei prá quê TSE faz propaganda).

Assumir a guarda da Democracia faz parte do besteirol e da mediocridade dos condôminos que ocupam os andares de cima do edifício do poder. Despudorados, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o atual, Lula da Silva, também se assumiram como tal.

Exibem-se desejando protagonizar na literatura fantástica ou no cinema de ficção científica, mas será mais adequado participarem de histórias de quadrinhos nos gibis; como não se baseiam em fatos reais fica para si mesmos esta fantasia de auto elogio.

Ser guardião de alguma coisa sempre tem aparecido em obras e narrativas que não se baseiam em fatos reais ou na realidade estrita, tornou-se comum em obras artísticas, teatrais ou cinematográficas como “Guardiões do Universo” para designar seres, ordens ou civilizações encaradas como protetoras da ordem cósmica.

No cinema e na cultura pop, a ideia aparece associada a heróis espaciais, civilizações interestelares e defensores do destino da humanidade. Filmes e romances exploram a noção de que existem inteligências superiores observando a Terra e intervindo em momentos críticos.

Encontramos muitos exemplos desta definição nas histórias fantásticas de heróis editadas pela DC Comics da Warner Bros. Popularizou-se da DC os “Guardiões do Universo”, que são anciões imortais criadores e líderes da Tropa dos Lanternas Verdes, responsáveis por impedir guerras interplanetárias, invasões alienígenas ou o colapso do equilíbrio universal.

A versão cinematográfica dos anjos, deuses e titãs vem com os filmes “Abraxas, Guardião do Universo” (1991) e o filme “Gamera: Guardião do Universo” (1995) e “Lanterna Verde” (2011). Está anunciada uma nova produção trazendo de volta o He-Man lutando contra o Esqueleto e salva o planeta Eternia….

No filme russo “Cosmoball: Os Guardiões do Universo” se explora o lado psicológico das figuras angelicais no inconsciente humano que deseja e existência de protetores celestes intervindo na Terra.

Tratando-se de uma projeção moderna de mitos ancestrais, Cosmoball apresenta a chegada de uma gigantesca nave alienígena que é um estádio onde se realizam jogos espetaculares em competições intergalácticas com lutas de gladiadores.

“O mundo inteiro acompanha os jogos, como o faz atualmente nas copas mundiais de futebol. Quando chega a vez de representantes da Terra competirem, revela-se a intenção extraterrestre de conquistar o nosso planeta.

Um personagem, embora ignorando o papel especial que exercerá (que por coincidência lhe coube), o atleta Anton, participa do jogo final, e se torna o responsável pela nossa vitória e a salvação da humanidade”.

Esta projeção futurologista nos leva ao perder dos tempos e à História da Civilização, registrando a mitologia da civilização suméria com os Anunnaki, divindades que estão citadas em taboas da escrita cuneiforme como protetores dos seres humanos e criadores da escrita e da aritmética.

Na visão científica, antropólogos e arqueólogos veem os Anunnaki como figuras simbólicas da cosmologia sendo transmitidas aos povos mesopotâmios e influenciando os livros sagrados do judaísmo e do cristianismo. A Torá e os Evangelhos reconhecem a existência de seres espirituais como guardiões da vida terrestre.

Mantêm-se até hoje a crença em anjos (para os judeus, malach), como agentes da vontade divina que protegem as pessoas; e é voz corrente entre nós citar o “Anjo da Guarda” como nosso protetor.

Também no estreito ficcionismo da politicagem brasileira aparecem auto assumidos Guardiões da Democracia, tecnicamente preparados para defende-la, implantando (que ironia!) uma ditadura que censura, proíbe e suprime as liberdades de crítica, expressão e informação.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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