Equipes de resgate retiraram centenas de corpos de casas e igrejas na quinta-feira, empilhando muitos deles em esquinas, depois do violento terremoto na noite anterior no litoral central do país.
Pelo menos 437 pessoas foram mortas pelo tremor, de magnitude 8, segundo a Defesa Civil. Outras 1.300 pessoas ficaram feridas, e o número de vítimas fatais ainda deve subir.
Enquanto as equipes de resgate procuram sobreviventes nos destroços, moradores em choque tomavam conta dos cadáveres na rua, sem saber aonde levá-los.
“Não sei o que fazer, não sei onde velá-la”, dizia José Flores, de aproximadamente 12 anos, ao lado do corpo da mãe, com quem vivia numa casa de barro totalmente destruída na cidade de Chincha, 200 quilômetros ao sul de Lima.
Na vizinha Pisco, 48 corpos estavam espalhados na praça central.
O Serviço Geológico dos EUA corrigiu de 7,9 para 8 a magnitude do tremor, que chegou a ser sentido em Manaus. Na manhã de quinta-feira, houve violentos tremores secundários.
Muitos hospitais estão sobrecarregados. No San José, de Chincha, as paredes foram destruídas pelo tremor, e os feridos aguardam no chão.
Hernando Rodríguez contou a uma TV local que sua filha foi atingida por uma parede e precisava ser transferida para Lima. “Não há leitos e não podem lhe dar um leito até fazerem um raio-x dela, mas não há energia”, queixou-se.
Centenas de presos fugiram da velha penitenciária Tambo de Mora, em Chincha, que desabou. “As autoridades não puderam fazer nada, foi realmente difícil controlar os prisioneiros”, disse Manuel Aguilar, vice-diretor da entidade carcerária peruana. Ele afirmou que 29 presos ficaram para trás.
No hospital San Juan de Dios, em Pisco, o médico Ricardo Cabrera dizia que a equipe tinha de lidar com 200 feridos e mais de 40 mortos, sem energia e com grande parte do hospital destruída. Não há necrotério na cidade, e os corpos estão sendo reunidos em praças e esquinas. Além disso, segundo o médico, ainda há corpos nos escombros. Em entrevista a uma rádio, ele pediu o envio de sangue, ataduras e remédios.
Reuters/Brasil Onli/Por Jean Luis Arcene
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