“A idéia de uma reforma política geral, que inspirou discursos moralizantes no vácuo da denúncia de Roberto Jefferson, nunca foi abraçada de verdade. Lula abandonou-a tão rapidamente que deixou sem fala seus intérpretes no Congresso. Deputados e senadores agora discutem impor algum tipo de fidelidade aos partidos com a ajuda da Justiça Eleitoral. Com menos migrações, alegam, ficariam fortalecidos para lidar com o Planalto. A ameaça de cassar o mandato, porém, não é suficiente para mudar o jogo. O vira-casaca poderá apoiar o governo de dentro da oposição. Fechará os negócios no plenário. Dar um cheque em branco às cúpulas partidárias não parece sensato também. Elas se atolaram em escândalos, o do mensalão incluído, e atuam descomprometidas das bases e estatutos (quando existem)”.
Melchíades Filho, articulista da Folha de São Paulo
OPINIÃO: A reforma política coordenada pelos 300 picaretas do Congresso Nacional somados à heterogênea aliança dos lulistas-petistas com os ruralistas de Ronaldo Caiado não deveria ser levada a sério. Como De Gaulle não encontrou seriedade no Brasil numa época em que a corrupção não era corriqueira, imagino o que pensaria se tivesse conhecido a República dos Pelegos. A partir da anistia para os políticos fisiológicos eleitos por um partido e se vendendo para outro, tudo o que venha a mais passa a ser duvidoso; e a pior proposta é a do Caixa 3, em que os contribuintes pagaremos para eleger outra legislatura igual ou pior desta que envergonha a República com escândalos sobre escândalos, dos mensalões à presença na chefia do Congresso um tipo como Renan Calheiros. MIRANDA SÁ
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