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Secretarias alagoanas retêm papéis de Renan, acusa a PF

“A falta de agilidade dos órgãos públicos de Alagoas em fornecer informações pode impedir a Polícia Federal de concluir o laudo nos documentos do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no prazo de 20 dias combinado com o Conselho de Ética do Senado, onde o parlamentar responde a processo de quebra de decoro, sob a acusação de ter despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da Construtora Mendes Júnior. Renan nega as acusações e diz que as contas foram pagas com recursos próprios, obtidos com venda de gado no valor de R$ 1,9 milhão.

A entrega de documentos relevantes, conforme a PF, estaria sendo retardada por órgãos públicos alagoanos. O maior volume de documentos em falta é devido pelas secretarias de Finanças e de Agricultura, controladas por aliados de Renan até a deflagração da Operação Navalha, quando alguns deles foram presos. O governo alagoano alega que vem dando total colaboração às investigações, além de ter demitido os envolvidos com a quadrilha que fraudava licitações em obras públicas. O Instituto Nacional de Criminalística (INC), responsável pela perícia, comunicará ao Conselho de Ética hoje que a ausência desse material poderá atrasar o laudo ou comprometer sua qualidade se a decisão for continuar o trabalho mesmo assim.

Segundo os técnicos do INC, os documentos a serem periciados estão chegando pingados e ainda falta quantidade considerável de papéis prometidos pelo conselho. Ontem, com considerável atraso, chegou o material requisitado há duas semanas à Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária (Adeal), que faz o controle de zoonoses no rebanho alagoano. Entre os documentos estão atestados de vacina e Guias de Trânsito de Animais (GTAs), que precisam ser cruzados com os outros dados.

Tanto pelos documentos que faltam como pelos já entregues, a situação de Renan torna-se cada vez mais complicada. A perícia é aguardada pelo conselho para julgar o processo, que pode resultar na cassação do senador e na suspensão dos seus direitos políticos por oito anos. Além do primeiro lote de documentos, entregue na semana passada pelo conselho, a PF recebeu um segundo, com material de defesa anexado por Renan na última segunda-feira. Do terceiro e o mais importante lote só chegou ontem com documentos da Adeal e os recibos de Olavo, denunciado pela Procuradoria-Geral da República como beneficiário do empresário Zuleido Veras, que comandaria a quadrilha desbaratada pela PF.

Vannildo Mendes, jornalista (enviado de Alagoas)

Miranda Sá

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