O Ministério Público de Minas Gerais investiga possível conexão entre produtores de leite do Estado e de Goiás nas fraudes no produto. Autoridades dos dois Estados já identificaram leite adulterado.
Documento da Promotoria, ao qual a Folha teve acesso, aponta que a Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), de Passos (MG), sob suspeita de adulteração, teria adquirido a tecnologia das fraudes no leite do dono de um laticínio de Pires do Rio (GO), o Laticínio Búfalo.
O laticínio goiano também é suspeito de ter fornecido soro de queijo para a cooperativa mineira dar volume ao leite.
A informação foi passada ao Ministério Público por um funcionário da Casmil que prestou depoimento sob a condição de não ter seu nome revelado.
Diz o documento: “A tecnologia para a realização das fraudes fora adquirida em mãos de uma pessoa de nome Marcos, conhecida pela alcunha Japonês, proprietária do Laticínio Búfalo, (…) e seria utilizada como forma de enfrentar as graves dificuldades financeiras vivenciadas pela Casmil”.
A Folha localizou em Pires do Rio a Indústria e Comércio Laticínios Pires do Rio, que, segundo funcionários, trata-se do Búfalo. O proprietário é Marcos Michiata, que nega as suspeitas.
A Vigilância Sanitária de Pires do Rio informou que investiga denúncia de adição de formol ao leite em uma indústria, mas não disse se a irregularidade ocorre no Laticínio Búfalo.
Laudo do Lanagro (Laboratório Nacional Agropecuário), vinculado ao Ministério da Agricultura, com resultados das análises do leite cru resfriado vendido pela cooperativa de Passos, indicou presença de soro e água oxigenada.
O funcionário que deu as informações à Promotoria disse que, inicialmente, o soro usado pela Casmil para encorpar o leite era do Laticínio Búfalo. Depois, a empresa teria passado a usar soro resultante de seu próprio processo industrial.
“A utilização do soro pela própria Casmil passou a ser possível porque o informante, que é seu funcionário, acabou por descobrir técnica mais eficiente e barata do que aquela criada pelo “Japonês'”, diz o documento da Promotoria.
Outro lado
Empresário do setor de laticínios há quase 30 anos, Marcos Michiata negou ter fornecido a tecnologia para a Casmil fraudar o leite. “Sou fabricante de queijo, não sou químico, não sou engenheiro. Estou extremamente chateado com isso. Tenho um nome a zelar.”
Michiata disse que há cerca de dois anos vendeu leite para a Casmil e que conhece o presidente da cooperativa mineira que está preso. Segundo ele, a relação foi apenas comercial. Disse que não tem mais negócios com a Casmil e que há seis meses não vai a Passos.
Ele também negou que tenha vendido soro para a cooperativa de Passos. Segundo ele, essa informação não tem sentido porque a Casmil produzia queijo e poderia usar o próprio soro. Michiata disse que as notas fiscais que emitiu foram da venda de leite.
Fonte: Folha Online
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