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Preso na própria armadilha

“Teria sido adequada, não fosse por uma falha grave, a primeira reação pública do presidente Lula à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de processar três ex-ministros do seu primeiro governo, quatro deputados do seu partido, além do publicitário que fabricou o bem-sucedido “Lulinha, paz e amor” – entre os 40 réus do mensalão. “As instituições estão funcionando”, afirmou ele, na passagem positiva das suas avaliações. “Houve um pedido de indiciamento, houve a aceitação e, até agora, ninguém foi inocentado e ninguém foi culpado. Agora (…) quem tiver culpa pagará o preço, quem não tiver culpa será inocentado. E quem ganhará com isso será a democracia brasileira.” O melhor nesses comentários está em exprimirem a louvável expectativa de que o STF não cometerá a injustiça de inocentar culpados e cobrar dos inocentes um preço indevido.

Ficasse ele nisso, mereceria aplausos pelo comedimento e o respeito ao Judiciário – o que se espera de um chefe de governo democrata. Mas eis que falou mais alto a sua compulsão para se desforrar da oposição, das elites e da mídia pelo que acha que o fizeram passar, de má-fé, durante o transe do mensalão. (Como se o capitão do seu time, José Dirceu, nunca tivesse afirmado que tudo o que faz é por ordem do presidente e que nada faz à sua revelia.)Anteontem, não pela primeira vez, mas nunca, decerto, em momento tão inoportuno, ele desceu metaforicamente do pódio do Planalto para subir ao palanque onde exercita a sua jactância. “Tentaram, na verdade, me atingir”, lembrou. “E 61% do povo deu a resposta na eleição do ano passado.” Ele quis dizer, obviamente, que foi absolvido nas urnas, tidas implicitamente como a suprema instância de julgamento dos políticos acusados de malfeitorias”.

(do Editorial do Estadão)

OPINIÃO: Como brilha a inteligência de Caetano Veloso! Foi ele que me fez ver que Lula ainda não desceu do palanque da posse do primeiro mandato. A sorte do Pelegão é falar para analfabetos e os mesmos sem-vergonhas que vêm da República Velha se vendendo para votar (agora é em troca de uma cesta básica apelidada de Bolsa-Família); assim recebe aplausos e conquista votos. Apóia-se de um lado na organização criminosa capitaneada por Zé Dirceu e, do outro, no apoio dos 300 picaretas do Congresso Nacional. Será que os letrados deste país não vão reagir contra a “constituinte petista”, golpe que está sendo preparado pelos continuístas? Urna não é toga: votos não absolvem criminosos. MIRANDA SÁ

Miranda Sá

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Miranda Sá
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