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Por que a corriola é inimputável?

Para conhecimento que quem gosta de um texto direto e capaz de estimular a reflexão e a busca da verdade. É de Dora Kramer, que brilha nas constelações superiores. Abre aspas:

“Lula demora a falar e, quando o faz, quase leva a Nação a concordar com seus assessores que por três dias após o desastre o aconselharam a “mergulhar” para ver se afastava de si o cálice da repercussão negativa. Em todo o transcurso da crise, o presidente aceitou toda sorte de absurdos verbais e gestuais por parte de seus auxiliares sem manifestar sequer desconforto quando os ouvia dizer na televisão que não existia crise, que o melhor era o brasileiro relaxar e aproveitar seus efeitos, que tínhamos até motivo de comemoração, pois o caos indicava progresso, que enfrentávamos apenas os acasos da “lei de Murphy”, que não podíamos nos deixar levar pela “pressa neurótica”.

Não esboçou um mínimo sinal de desagrado diante de um Ministro da Defesa, superior hierárquico do Comando da Aeronáutica, a desafiar, irritado, que se procurasse na lei onde estava escrita sua responsabilidade sobre tráfego aéreo; não ponderou à sua ministra-chefe da Casa Civil que o momento não era de exibir seus atributos de dama de ferro em forma de rudeza (“não seremos fonte de especulação imobiliária”) e sim de informar com serenidade que não existe ainda um local escolhido para o futuro aeroporto de São Paulo; não estranhou a condecoração aos ineptos da Anac; não viu mais que um ato “infeliz” no gesto de Marco Aurélio Garcia a mandar todos para aquele lugar.

O Presidente passou por cima de tudo e mais um pouco, mas achou por bem apelar à “compreensão” geral e alertar para a irresponsabilidade do público que debate, desconfia e cobra aquilo que nada mais é do que seu direito inalienável à vida, à segurança, à liberdade de ir, de vir e de se expressar. E por que a corriola é inimputável? Porque na concepção preponderante no governo suas atitudes são tomadas em defesa de um projeto político cuja razão de ser começa e termina na preservação do exercício do poder pelo poder. Seja qual for a verdade que “virá à tona”, como assegurou Lula, sobre o acidente, nada muda essa realidade consolidada pelos fatos, um após o outro, ocorridos desde o início da crise – datada de 29 de outubro, dia do segundo turno da eleição presidencial – para cá”.

Dora Kramer, jornalista

Miranda Sá

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