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Poesia

Poema

Belos olhos que fingem não me ver

Mornos suspiros, lágrimas jorradas

Tantas noite em vão desperdiçadas

Tantos dias que em vão vi renascer;

Queixas febris, vontades obstinadas

Tempo perdido, penas sem dizer,

Mil mortes me aguardando em mil ciladas

Que o destino me armou por me perder.

Risos, fronte, cabelos, mãos e dedos

Viola, alaúde, voz que diz segredos

À fêmea em cujo peito a chama nasce!

E quanto mais me queima, mas lamento

Que desse fogo que arde tão violento

Nem uma só fagulha te alcançasse.

Louise Labé

Traducão de Sergio Duarte

A Poetisa

Louise Labé (dita A Bela Cordoeira), (1526(?), Lyon – 15 de Fevereiro de 1566, Parcieux-en-Dombes), foi uma poetisa francesa.

Filha de Pierre Charly, um rico cordoeiro, e de Étiennette Roybet, Louise recebeu uma educação refinada para a época, consistindo de latim, italiano, música, equitação e até mesmo esgrima. Bonita e independente, aos dezesseis anos (1542) disfarçou-se de homem e sob a alcunha de “capitão Loyz” acompanhou um de seus amantes ao cerco de Perpignan e chegou mesmo a tomar parte de combates. Anos depois, novamente travestida, participou de um torneio de esgrima em Lyon.

Em 1550 resolveu casar-se e desposou Ennemond Perrin, cordoeiro e rico como fora seu pai, de onde veio o apelido de “Bela Cordoeira”. Em sua mansão, deu grandes recepções para a sociedade burguesa da época, e, com a morte do marido (por volta de 1560), voltou a ter inúmeras aventuras amorosas (embora, entre suas conquistas, seja conhecido apenas o nome do poeta Olivier de Magny).

A principal obra de Louise Labé é o Débat de Folie et d’Amour (“Debate da Loucura e do Amor”), de 1555, contendo 24 sonetos, e onde defende uma pauta “feminista”: direito das mulheres à educação, à liberdade de pensamento e a escolha de parceiros. Seguem-se a eles as três Élégies (“Elegias”), no mesmo ano. As obras, que exprimem uma “paixão sensual e ardente”, foram inspiradas no modelo da época, Petrarca, mas além do grande rigor formal, destacam-se dentre as obras contemporâneas por seu ardor, sua espontaneidade e pela sinceridade com que são expressos os sentimentos.

Embora perseguida e repreendida por vários reacionários, ela foi saudada por seus colegas poetas da época como uma nova Safo, fama notável para uma poetisa com tão poucos trabalhos publicados.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu
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