CANTIGA DE PRAIA
Estou sozinho na praia,
estou sozinho e não sei.
Que luz adormece a face
se em gritos já me afoguei?
Estou dançando na praia?
Estou dançando? Não sei.
Eu colho com as mãos da ausência
a rosa que não beijei.
Que luz chega do outro lado,
do outro rio, do outro mar?
Estou sozinho na praia…
Ó mundo, vamos dançar!
O Poeta
Dono de um lirismo místico — e, em muitos casos, francamente católico —, esse mineiro de Mariana (nascido em 1918) trabalha mais com sentimentos íntimos, momentos fugidios. É como se ele quisesse ser um repórter que tenta captar em palavras instantâneos de situações indizíveis.
Numa leitura de sua obra, pode-se perceber uma clara identificação de Guimaraens com o tcheco-alemão Rainer Maria Rilke. Um exemplo desse diapasão é o poema “Cantiga de Praia”, de 1947, transcrito acima.
Mas essa tentativa de fotografar o instante fugidio não classifica o poeta como um habitante das nuvens.
Classificado pelos estudiosos como modernista da terceira fase, Guimaraens começou a publicar livros de poesia em 1940 e continua a fazê-lo até hoje. Seu trabalho mais recente é O Tecelão do Assombro (Sette Letras, 2000).
Ah, sim: como o nome diz, o poeta é filho de Alphonsus de Guimaraens (1870-1921), um dos expoentes da poesia simbolista no Brasil.
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) A minha profunda admiração pela figura de Bertolt Brecht, dramaturgo, filósofo e poeta alemão, o maior…
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) A Tragédia é um acontecimento muito grave e ruinoso, ligado a forças da natureza ou provocado…
MIRANDA SÁ (E-mail; mirandasa@uol.com.br) O analfabetismo reinante na suprema corte de Justiça argumenta sobre o exercício do jornalismo para se…
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) A expressão "conto do vigário" é uma das mais tradicionais da língua portuguesa e significa um…