Folha de Álbum
De repente uns desejos fúteis
tivesdes, de escutar um pouco
as várias músicas inúteis
das minhas flautas de um som rouco.
Esta canção que eu comecei
ante a paisagem, frio e grave
ficou melhor quando a cessei
para olhar vosso olhar suave.
Sim, este vão sopro que expulso
até meu último limite
(meus dedos hirtos movo a pulso)
falha se imita, embore imite,
o vosso claro, natural,
riso infantil e matinal.
Mallarmé (tradução de Luis Martins)
O Poeta
Stéphane Mallarmé -(1842-1898) Poeta francês que figura entre os iniciadores do simbolismo. Nasceu em Paris e cursou bacharelado em Sens. Mallarmé começou a publicar seus poemas na revista “Parnaso Contemporâneo”, editada na capital francesa na década de 1860, quando ele se mudou para o interior da França com o objetivo de ensinar inglês nas escolas da região.
Dos 21 aos 28 anos o poeta viveu com a família em três cidades: Tournon, Besançon (terra de Victor Hugo) e Avignon.Anos depois, Mallarmé conheceu os poetas Rimbaud e Paul Verlaine. Mallarmé se utilizava dos símbolos para expressar a verdade através da sugestão, mais que da narração. Sua poesia e sua prosa se caracterizam pela musicalidade, a experimentação gramatical e um pensamento refinado e repleto de alusões que pode resultar em um texto às vezes obscuro.
Seus poemas mais conhecidos são L’APRÉS-MIDI D’UN FAUNE (1876), que inspirou o prelúdio homônimo do compositor francês Claude Debussy, e Herodias (1869). Outras obras importantes de Mallarmé são a antología Verso e prosa (1893) e o volume de ensaios em prosa Divagações (1897).
Mallarmé destacou-se por uma literatura, em que se mostra ao mesmo tempo lúcida e obscura. É por isso considerado um poeta difícil e hermético. Em suas famosas tertúlias literárias, em sua casa, em Paris, na rue de Rome, reunia-se a elite intelectual da época para sessões de leitura e conversas sobre arte e literatura. Entre os convidados, André Gide e Oscar Wilde.
Seus comentários críticos sobre literatura, arte e música estimularam enormemente aos escritores simbolistas franceses, assim como aos artistas e compositores da escola impressionista, que ao final do século XIX desenvolveram uma arte espontânea em oposição ao formalismo da composição.
A Grande Obra, para ele, seria um livro com a estrutura de uma obra arquitetônica, ligada numa espécie de sintonia com o universo”. A “Grande Obra” que Mallarmé sonhava, no entanto, não significava reunir todos os seus escritos, mas escrever uma nova obra o que para a sua grande frustração, morreu sem realizar.
Um dia antes de morrer, Mallarmé pressentiu a chegada da morte. Pediu à mulher Marie e à filha Geneviève que queimassem todos os seus escritos, como fizeram Franz Kafka e o poeta Virgílio. Ele morreu asfixiado no dia seguinte. Mas, felizmente, elas não cumpriram o desejo dele.
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