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Poesia

A…..

Pensava em ti nas horas de tristeza

Quando estes versos pálidos compus;

Cercavam-me planícies sem beleza,

Pesava-me na fronte um céu sem luz.

Ergue este ramo solto em teu caminho;

Sei que em teu seio asilo encontrará!…

Só tu conheces o secreto espinho

Que dentro d’alma me pungindo está!…

Fagundes Varela

O Poeta

Luís Nicolau Fagundes Varela (1841-1875) era filho de Emiliano Fagundes Varela e de Emília de Andrade, ambos de famílias fluminenses ricas. Viveu parte da infância numa fazenda, na vila de S. João Marcos (RJ), onde seu pai era juiz.

Em 1861, publicou seu primeiro livro de poesias, “Noturnas”. Dois anos depois, “O Estandarte Auriverde”. Casou-se com a artista de circo Alice Guilhermina Luande, de Sorocaba (SP), provocando um escândalo na família. A morte de seu primeiro filho, Emiliano, aos três meses de idade, levou-o ao alcoolismo e á boêmia, mas o instigou a escrever, inspirando o poema “Cântico do Calvário” (1863).

Logo a seguir, publicou “Vozes da América” (1864) e “Cantos e Fantasias” (1865). Resolveu terminar o curso de Direito em Recife. Enquanto estava em viagem, sua esposa, que ficara em São Paulo, faleceu. Ele retornou à Faculdade do Largo São Francisco (SP) em 1867, e, mais uma vez, abandonou o curso.

Voltou para a fazenda de Rio Claro (RJ). Casou-se pela segunda vez com a prima Maria Belisária de Brito Lambert, com quem teve duas filhas e um filho, este também falecido prematuramente. Em 1870, mudou-se para Niterói, onde viveu até o fim da vida, entre estadas nas fazendas dos parentes e as rodas da boêmia intelectual do Rio.

Sempre inquieto e torturado, conseguia refúgio somente junto à Natureza, sua velha conhecida. Por esta razão, sua poesia – com fortes características românticas – expõe, em contraste, a contemplação da vida no campo e a vida na cidade, com seus vícios e, conseqüentemente, o aumento do sofrimento.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu
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