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O Diário Oficial e as falsetas do poder

“O Diário Oficial da União de quinta-feira passada circulou com ato assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o qual Waldir Pires fora afastado do Ministério da Defesa “a pedido”. O detalhe revela a dificuldade que Lula tem de tirar da função qualquer um de seus auxiliares, mesmo os envolvidos em corrupção. Não é o caso de Pires, sobre o qual não há nenhuma suspeita a respeito de sua honorabilidade – contra ele pesam questionamentos sobre competência e poder de decisão. O primeiro caso rumoroso de um auxiliar em cargo importante que se envolveu em irregularidades e não foi demitido ocorreu em 2004. Flagrado numa fita de vídeo cobrando propina do empresário de jogos Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o então assessor da Casa Civil, Waldomiro Diniz, protagonizou o primeiro grande escândalo deste governo, às vésperas do aniversário de 24 anos do PT. Waldomiro também saiu do governo “a pedido”.

Em 2005, o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, foi apontado pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), como “o mentor” do esquema de caixa 2 feito pelo PT, que passou a ser conhecido por mensalão. A CPI dos Correios concluiu que os operadores da trapaça tinham sido o empresário Marcos Valério e o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares. Dirceu se sustentou no cargo por cerca de 20 dias. Como não foi afastado, pediu demissão.O mesmo ocorreu com o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que dissera, na CPI dos Bingos, que não freqüentava mansão onde ocorriam ações de lobby e festas. Mas o caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, testemunhou que o havia visto lá. Para se defender, Palocci se envolveu na violação do sigilo bancário do caseiro. Perdeu poder até ser levado a pedir demissão. Lula, ao anunciar Guido Mantega no seu lugar, disse que sofria muito. Com participação no mesmo caso, Jorge Mattoso, então presidente da Caixa Econômica Federal, também pediu demissão.

João Domingos, jornalista, de Brasília

Opinião: João Domingos trouxe dois pontos altamente positivos na sua reportagem: Lembrou a figura execrável de Waldomiro Diniz, escroque que chegou a assessor parlamentar da Presidência da República e a farsa cretina do Pelegão em demitir os comparsas desidiosos desonestos e incompetentes com um “a pedido”, sem assumir a autoridade que se exige de um presidente da República. Miranda Sá

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