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O BOICOTE

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Nem tudo que se enfrenta pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que seja enfrentado” (Albert Einstein)

Há tempos, quando ainda estudava textos de introdução ao estudo do Direito, li na pesquisa, não me lembro em qual jornal, livro ou revista, um princípio que me fez pensar e aceita-lo: “Quem controla o econômico, controla o político e o social”. (Parece-me ser de origem marxista, perdoem-me os intransigentes sectários da direita).

Sempre estudando e observando a vida, tenho visto e comprovado que a economia de livre comércio é perfeita; moderniza a produção, valoriza o comércio e a indústria, e influencia naturalmente a política e o dia-a-dia dos povos.

Bulindo com a minha cabeça, essas ilações atraem notícias internacionais e nacionais sobre boicotes à empresas e marcas, como protesto. O boicote, como forma de resistência, é uma ação para impedir compras, recusar marcas de produtos e negar-se a comparecer a eventos artísticos e recreativos. Como revolta, recusa-se a obedecer à autoridade.

O boicote nasceu no século 19, na Irlanda, durante a chamada “guerra agrária” motivada pelo capitão Charles Boycott que reprimiu o movimento contra a redução das rendas dos produtores, então a corporação levantou-se contra ele isolando-o. Esta reação deu origem à palavra, o sobrenome Boycott, adotada em português como boicote.

O confronto entre partes ocorre quando um grupo de pessoas pressiona alguém ou uma entidade pretendendo causar algum prejuízo ao adversário. Nos EUA e na Europa, este ativismo é quase sempre associado a uma atividade comercial, mas ultimamente vem ocorrendo também aos meios de comunicação e às promoções artísticas.

Dessa forma, ocorrem o boicote ou a intenção de boicotar alvejando empresas, produtos ou serviços, mas sucedem raramente contra a administração pública, exceto por motivação partidária oportunista.

Uma reportagem de Liana Melo, publicada na revista Época, registra que numa pesquisa sobre o comportamento dos consumidores brasileiros, 69% deles, espontaneamente, compram ou boicotam uma marca motivados por questões políticas e sociais.

Talvez surfando nessa onda, surgem nas redes sociais muitas propostas para boicotes e pelo levantamento citado na reportagem vê-se que muitas pessoas, principalmente os jovens, creem poder influenciar personalidades famosas, empresas, marcas industriais e comerciais e órgãos públicos.

É preciso refletir, porém, que dependendo da maneira de boicotar, será uma medida de dupla face: ou pode legitimar a pretensão dos seus realizadores, ou, ao contrário, pode ser utilizada como perseguições ou preconceitos inaceitáveis.

Fugindo, porém, de conduta persecutória, mas agindo pela justa compreensão de uma reivindicação humanista, política ou social, julgamos haver muitas vezes a necessidade de se fazer um boicote.

Façamos uma reflexão sobre o caso do cachorro morto após ser espancado em Osasco (São Paulo) por um segurança do Carrefour. Um inquérito civil está apurando a ocorrência; se ficar comprovado este crime, propomos o boicote ecológico ao supermercado por maus tratos a animais.

Assistimos também um conflito emocional que invadiu as redes sociais por causa da ordem de prisão dada pelo ministro Ricardo Lewandowsky a um crítico do STF, que foi mantido em cárcere privado no avião em que eram passageiros.

São certas posições do Supremo, com a aprovação do indulto de Temer, que favoreceria os crimes de corrupção, e a soltura de José Dirceu, condenado a 30 anos de prisão, envergonham a cidadania, e a crítica não é isolada, é uníssona, nacional.

No caso pessoal do Meritíssimo Togado, é interessante ver quão hipócrita foi a sua atitude, porque considera um abuso a prisão preventiva e é contra prisão após condenação em 2ª instância; mas dá ordem de prisão injustificável.

Será que por causa do comportamento deste ministro, ou de uma fração de ministros do STF que não preserva a dignidade do cargo, valeria fazer um boicote contra o Tribunal? E como seria feito?

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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