“É grave a sucessão de escândalos que se abate sobre o país. Não me refiro apenas ao prejuízo material causado pela corrupção, que desvia verbas de setores tão importantes e carentes como educação, saúde e infra-estrutura, mas também aos danos morais. Constatar que “políticos não têm jeito mesmo” é o primeiro passo para garantir que políticos não tenham jeito mesmo –e que o país permaneça como e onde está.
O desencanto com a política, à medida em que nos torna cada vez mais céticos em relação à viabilidade do sistema representativo e à própria natureza humana, ganha força de profecia auto-realizável. E não é necessário puxar pela memória para perceber que a coisa está feia: mensalão, vampiros, sanguessugas, caso Renan, caso Roriz, para citar apenas os mais ilustres e recentes. Não sou daqueles que idealizam uma Idade de Ouro perdida. Embora a sensação seja a de que “nunca antes na história este país foi tão corrupto”, creio que as coisas são um pouco mais complicadas”.
Hélio Schwartsman, jornalista
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