Aprovado o pacote de resgate dos bancos, resta resolver a devastadora realidade. Não se sabe como usar esses recursos para limpar os bancos de ativos podres, não se sabe como interromper o processo de queda do valor de imóveis que cria novos papéis impagáveis a cada dia, não se sabe como interromper a alta do desemprego que em setembro vitimou 159 mil americanos. Há mais dúvidas que certezas.
O pacote, aprovado ontem pelo Congresso americano, é uma tentativa de interromper a queda livre, de quebrar a cadeia de transmissão da crise de confiança. O melhor cenário é que consiga isso, mas há o risco de que qualquer outro fato inesperado realimente o medo de que o sistema bancário dos países ricos esteja fragilizado demais.
E há riscos de fatos inesperados, de novos acontecimentos, espalhados por aí, pelos bancos europeus, pelas empresas industriais. Quando uma empresa do nível da GE vende um papel que promete pagar 10% ao ano; quando o governador da Califórnia avisa que precisa de US$ 7 bilhões porque não consegue captar recursos, há algo de podre além dos ativos imobiliários de Wall Street.
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