Depois de três dias acuado e perplexo com o segundo acidente aéreo de grandes proporções em dez meses, Lula decidiu agir e criar uma seqüência de fatos para calar as vozes que não apenas vaiam, como as do Maracanã, mas acusam e exigem competência e respostas do governo para a crise, a insegurança, o medo. Lula vai mexer no comando do setor, abrir o capital da Infraero, atropelar a Anac e, principalmente, vai aparecer, ou reaparecer ao público. Desta vez, ou mais uma vez, anunciando providências.
O Aeroporto de Congonhas, denunciado há anos, talvez décadas, está sendo o símbolo da inépcia de Lula e de seu governo. A idéia é transformá-lo justamente no contrário, reduzindo pousos e decolagens, estabelecendo fortes restrições ao tamanho, ao peso e ao número de aeronaves, especialmente nos horários de pico. Quem teria que renegociar todas essas coisas com as companhias aéreas seria a Anac, cujos integrantes têm mandato fixo e são (em tese) independentes do governo.
Mas a Anac não tem unidade nem força para enfrentar as empresas em favor dos usuários. Já que é assim, o Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil), uma abstração, vai ganhar corpo e alma hoje, quando Lula presidir sua reunião e produzir imagens para mostrar que é o comandante. Comandante para o que vier de bom, não para o que já houve de ruim”.
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