“Sei, no entanto, e todo mundo interessado sabia, que Congonhas operava muito além dos limites já faz um tempão. Os dez meses de “apagão aéreo” eram a evidência física do que o Presidente prefere tratar como “problema”, para fugir do termo certo (crise). Por que, então, só agora o governo federal – responsável pelo setor aéreo de A a Z, é bom deixar claro – resolve agir ou anunciar que vai agir? Por que morreram 200 pessoas? Então, o acidente tem a ver com os “problemas” de Congonhas? Ninguém pode afirmar que tem. Ou que não tem. Mas o governo insinua que tem, porque, antes, sua recomendação oficial era “relaxar e gozar”. Agora, não é mais.
Tudo somado, vale a perfeita avaliação do notável jurista Walter Ceneviva em seu artigo de ontem: “O costume das companhias e das autoridades de manter descompasso com a verdade nos levou à descrença final”.
Clóvis Rossi, jornalista
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