Palocci e o STF
Depois da ação da AMB contra os candidatos com ficha suja, o próximo caso espinhoso a ocupar os ministros do STF é o de Antonio Palocci.
O procurador-geral da República ofereceu denúncia contra o nobre parlamentar, o ex-presidente da Caixa Jorge Mattoso e o jornalista Marcelo Netto por quebra de sigilo funcional, prevaricação, quebras de sigilo bancário e funcional, além de denunciação caluniosa, no caso da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo.
O processo tem 11 volumes e mais de duas mil páginas.
Não sei não, tem gente que considera este um crime menor, diante das roubalheiras que aparecem diariamente. E mesmo diante de outros crimes pelos quais Palocci também já está denunciado: formação de quadrilha, falsificação de documento público, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. Estes crimes teriam ocorrido quando Palocci era prefeito de Ribeirão Preto (SP).
Mas na minha opinião, o crime cometido por Palocci contra o caseiro é um dos mais hediondos que podem ocorrer num regime democrático que se considere digno do nome: como agente público, usou a mão pesada do Estado para intimidar um cidadão indefeso. Isto é inadmissível na democracia. O ministro da Fazenda é dono dos nossos segredos. Não pode utilizá-los em proveito próprio, para nos intimidar.
Desde a Magna Carta, em 1215, o cidadão vem sendo protegido contra o arbítrio do Estado e seus agentes. O que Palocci fez com o caseiro Francenildo é imperdoável. Crime hediondo mesmo. Mas agora chega a notícia de que foi oferecida aos três denunciados a suspensão do processo em troca de uma pena alternativa de prestação de serviços comunitários, incluindo aí visitas a escolas.
(O que será que esses três podem ensinar de bom?)
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